Dívida

Novo Banco vai pagar juro mais alto do ano na banca da zona euro

O banco promete uma taxa de juro mínima de 8,5% para emitir até 400 milhões de euros em dívida de maior risco.

O Novo Banco acena com um juro de 8,5% para convencer os investidores a comprar dívida. A taxa oferecida é a mais alta em emissões semelhantes feitas por bancos europeus este ano, segundo dados da Reuters. É o custo para provar que o banco que nasceu dos escombros do BES consegue aceder aos mercados e cumprir com uma das obrigações impostas pela Comissão Europeia.

“Tendo em conta o passado e os traumas de muitos investidores com o processo BES/Novo Banco é natural que a taxa de juro paga seja elevada”, diz Pedro Lino ao DN/Dinheiro Vivo. O administrador da Dif Broker acrescenta que “face à última emissão de dívida da operação de capitalização da CGD, o Novo Banco consegue uma taxa que, considerando as incertezas que ainda existem, é atrativa e tenta marcar o regresso aos mercados”.

O Novo Banco quer colocar entre 250 milhões e 400 milhões em títulos subordinados que contam como fundos próprios de nível 2 (tier 2). A instituição financeira indicou, num documento sobre a operação, que vai pagar uma taxa mínima de 8,5% ao ano. Os títulos têm um prazo de dez anos com opção de reembolso antecipado ao quinto ano. Na semana passada a CGD obteve um juro de 5,75% para emitir títulos semelhantes.

João Queiroz, diretor da banca online do Banco Carregosa, considera ao DN/Dinheiro Vivo que essa taxa “reflete uma perceção de elevado risco que muito provavelmente estará relacionado com o desempenho do emitente, que se caracteriza por incerteza na geração de resultados anuais”. O banco teve prejuízos de quase 1,4 mil milhões de euros em 2017 devido à subida de 50% nas imparidades e provisões para mais de dois mil milhões. O banco ativou o mecanismo de capital contingente, solicitando 791,7 milhões ao Fundo de Resolução (430 milhões dos quais emprestados pelo Estado). Mas nos primeiros três meses do ano o Novo Banco abandonou a sequência de perdas. Lucrou 61 milhões.

Apesar do resultado positivo, António Ramalho disse na altura que o banco está “focado na recuperação sustentável e não nos lucros imediatos”. E realçou que “estes objetivos de longo prazo ainda irão afetar a nossa rentabilidade por mais algum tempo”.

A procura e o Fundo de Resolução

Caso a emissão não atraia procura suficiente, o Fundo de Resolução terá de garantir a emissão. Mas o juro elevado poderá abrir o apetite do mercado. Pedro Lino salienta que a operação tem “uma taxa atrativa para os investidores”.

Além da emissão de dívida subordinada, o Novo Banco tem em curso ofertas de recompras e de troca a alguns detentores de obrigações seniores. A ideia é permitir a esses investidores utilizarem o encaixe com esses títulos para comprarem a nova dívida que está a ser emitida de forma a garantir a procura e evitar a atuação do Fundo de Resolução.

Filippo Alloatti considerou, citado pela Reuters, que nesse ponto a operação “está bem desenhada para incentivar os detentores de dívida sénior a participar”. Os resultados finais da operação deverão ser conhecidos amanhã.

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