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Novo Banco: “Vamos chegar a 200 colaboradores no digital em 2019”

João Dias, chief digital officer do Novo Banco.
(Leonardo Negrão / Global Imagens)
João Dias, chief digital officer do Novo Banco. (Leonardo Negrão / Global Imagens)

João Dias, chief digital officer do Novo Banco, contou ao Dinheiro Vivo como vai fazer uma revolução digital no banco.

João Dias estava há 17 anos na consultora McKinsey quando decidiu aceitar liderar a transformação digital do Novo Banco. Até ao final deste ano planeia reforçar a sua equipa dos 50 colaboradores atualmente para cerca de 200, incluindo recursos externos.

Para executar o seu plano de revolução digital do banco, tem um orçamento de 80 milhões de euros até 2021. Mais do que uma mudança tecnológica, trata-se de realizar uma mudança cultural, disse em entrevista ao Dinheiro Vivo.

“O ambiente (no setor de tecnologia) é de alta competição. A cultura é muito diferente (da que existe na banca)”, afirmou.

João Dias reporta diretamente ao presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho. Desde que chegou ao banco, há cerca de seis meses, já recrutou colaboradores de peso. É o caso de Bernardo Caldas, contratado para liderar a área de data science do banco. O ex-quadro do grupo Vodafone ficou responsável pelo desenvolvimento de inteligência artificial, data science e advanced analytics.

Também foi à Farfetch desafiar Elsa Ferreira para agile coach lead do Novo Banco. Elsa Ferreira vai contribuir para o desenvolvimento em escala de metodologias lean-agile – que visam otimizar equipas e processos na gestão.

Um passado que ajuda à mudança

O maior desafio que João Dias tem enfrentado tem sido definir as prioridades entre as prioridades – e executá-las. A maior surpresa tem sido a “receção muito positiva pela organização”. “Depois de o banco ter passado por uma série de eventos traumáticos a administração tem uma vontade enorme de servir os clientes”, afirmou.

O Novo Banco, que nasceu do colapso do Banco Espírito Santo, em 2014, tem uma liderança pesada. Muitos pequenos investidores sofreram prejuízos com a queda do grupo Espírito Santo. O banco foi forçado a emagrecer os seus quadros e tem em curso um plano estratégico que passa por fechar balcões e cortar custos.

Em outubro de 2017, a norte-americana Lone Star adquiriu 75% do Novo Banco e os restantes 25% estão nas mãos do Fundo de Resolução.

Para João Dias, o passado do Novo Banco é um motor da mudança. “Temos um passado que nos obriga a nos transformamos”, disse. “Temos um modelo de governo e uma estrutura acionista que nos permite ter foco na transformação”, frisou.

Em 2018, o banco registou um prejuízo de 1,4 mil milhões de euros. Excluindo o que herdou do BES e em termos recorrentes, o resultado antes de impostos teria sido positivo em 2,2 milhões de euros. O prejuízo levou o banco a ter de pedir mais 1,15 mil milhões ao Fundo de Resolução, no âmbito do mecanismo acordado na altura em que foi vendido à Lone Star.

O banco precisa crescer e melhorar a sua rentabilidade. A transformação digital do banco faz parte dos quatro pilares de crescimento do plano de António Ramalho para os próximos três anos.

Referência no mundo digital

João Dias quer que o Novo Banco “seja digital by default” para “capacitar o banco para competir com outros tipos de concorrentes” e para “transformar o modelo de negócio”.

“Dar uma experiência distintiva ao cliente”, é um dos objetivos que João Dias tem em mente na sua estratégia que visa tornar um Novo Banco “numa referência no mundo digital”.

No final de 2018, o banco tinha 1,3 milhões de clientes com mais de 550 mil clientes digitais ativos. Mas há caminho para crescer já que Portugal tem ainda uma baixa taxa de digitalização na banca a nível europeu.

João Dias já mostra resultados da sua estratégia. O banco foi o primeiro a lançar a abertura de conta através da chave móvel digital, uma ferramenta de autenticação desenvolvida pela Agência de Modernização Administrativa.

Esta colaboração pode dar muitos outros frutos, com integração de informação de entidades estatais em serviços fornecidos pelo banco. E o potencial de haver novos tipos de serviços no futuro, que não os tradicionais da banca, é muito extenso. A mudança que a nova diretiva de pagamentos vai trazer em setembro deste ano, abre espaço a novos serviços para a banca e o Novo Banco pode “ser um prestador de muitos ecossistemas de serviços aos clientes”.

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