Novo Banco

Novo Banco. Venda ”vai decidir-se entre Santander e fundos”

Ricardo Madeira, da consultora Roland Berger, admite que Fundo de Resolução compre ativos

A venda separada de negócios do Novo Banco poderá atrair um perfil de interessados mais alargado à operação, que vai arrancar, pela segunda vez, já no início do próximo ano, defende Ricardo Madeira. Santander e fundos internacionais são os principais candidatos. Em declarações ao Dinheiro Vivo, o senior project manager da consultora Roland Berger admite que o Fundo de Resolução poderá comprar alguns ativos do banco presidido por Eduardo Stock da Cunha, mas não acredita que o valor da venda atinja os 4,9 mil milhões de euros que foram injetados pelo Fundo de Resolução no Novo Banco.

“Na minha opinião, o processo de venda do Novo Banco vai atrair um perfil de interessados ainda mais alargado, dada a abertura para uma venda separada dos negócios e do imobiliário, que no processo anterior foi colocado à venda em bloco.” Adicionalmente, Ricardo Madeira antecipa um interesse maior junto de fundos de investimento internacionais, devido ao facto de existir da parte dos agentes de mercado “a ideia de que o Estado vai estar mais aberto ao reconhecimento de menos-valias na operação”.

“Com base na informação que é pública e no conhecimento do mercado, julgo que a venda se vai decidir entre os espanhóis do Santander e fundos internacionais”, perspetiva.

Questionado sobre a possibilidade de o Fundo de Resolução ter de injetar mais capital na instituição financeira ou avançar com a compra de ativos – como a aquisição da seguradora GNB Vida que chegou a ser noticiada esta semana – para acelerar o processo de venda, o responsável da consultora Roland Berger admite que, “com base no conhecimento que temos do Novo Banco, é possível que o banco gere os fundos necessários para a sua capitalização através da alienação de ativos”. Ainda assim, alerta que a execução “bem sucedida” dessas operações no espaço de tempo necessário “afigura-se complicada”.

Para Ricardo Madeira, a solução poderá ser “um misto, com o Fundo de Resolução a comprar alguns dos ativos” do Novo Banco e outros a serem colocados no mercado.

Certo é que dificilmente a venda do Novo Banco atingirá os 4,9 mil milhões de euros que foram injetados pelo Fundo de Resolução. “Não acredito que, nas condições de mercado atuais ou expectáveis no futuro, o valor de venda atinja os 4,9 mil milhões de euros”, estima.

O senior project manager da Roland Berger dá como exemplo o facto de a capitalização bolsista conjunta do BPI e do Millennium bcp ascender a 4,6 mil milhões de euros, ou seja, um valor que poderia servir de comparação e que é inferior ao montante colocado pelo Fundo de Resolução. “Mesmo que se considere um prémio de controlo sobre o valor do Novo Banco, 4,9 mil milhões está bastante acima de qualquer valorização que se possa fazer do Novo Banco, utilizando comparáveis de mercado”, acrescenta.

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