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Nuno Amado: “Vamos adaptar o banco ao sistema financeiro em mudança”

Nuno Amado traça o “caminho para 2018” do Millennium bcp. A aposta no relançamento do segmento aflluent é uma das prioridades.

O presidente do BCP acaba de apresentar as metas estratégias dos próximos três anos que assentam em quatro pilares: capital, solvência, liquidez e clientes. “Os desafios são grandes, queremos adaptar o banco ao sistema financeiro em mudança”.

Entre as principais metas estão: diminuir sucursais, aumentar o acesso dos clientes ao digital, incrementar o número de transações através do homebanking, diminuir o crédito em risco e relançar o segmento affluent, clientes com rendimentos mais elevados. No segmento prestige, o banco quer superar os 10 mil clientes, em média, anualmente entre 2016 e 2018.

Na conferência de apresentação de resultados anuais, Nuno Amado aproveitou ainda para fazer um balanço da atividade do banco nos últimos exercícios, sublinhando a transformação do Millennium bcp desde a crise financeira de 2008 e o progresso das métricas do plano estratégico nos últimos quatro anos. “Ultrapassámos todos os objetivos, exceto as imparidades”, sublinhou.

Para uma maior perceção da evolução da instituição, Nuno Amado destacou alguns indicadores: “Em março de 2009, por cada 100 euros de crédito tínhamos 175 euros de crédito. Um gap comercial de 32 mil milhões de euros. Hoje temos zero”. O banqueiro relembra que em 2012 o banco chegou a ter prejuízos de 1200 milhões de euros.

O presidente do BCP salientou as novas tendências do setor, como a transformação do digital, uma ferramenta mais forte do que no passado. Em termos de ambiente de concorrência, assinalou algumas das mudanças significativas. “A regulação está mais distante fisicamente, mas mais perto pela presença no dia-a-dia”

Nuno Amado apresentou hoje lucros anuais pela primeira vez desde que é presidente do BCP. Após quatro anos de contas no vermelho, a instituição registou um resultado líquido de 235,3 milhões de euros, o que compara com prejuízos de 226,6 milhões de euros no ano de 2014. A atividade doméstica contribuiu com 44,2 milhões de euros, enquanto as operações internacionais têm um peso de 75%.

O resultado core aumentou 37,1% para 887,9 milhões de euros em 2015, impulsionado pelo crescimento de 16,6% da margem financeira e a redução dos custos operacionais.

Em 2015, o Millennium bcp pagou menos juros pelos CoCo’s, as obrigações de capital contingente. Recorde-se que o banco ainda tem 750 milhões de euros de ajuda pública por liquidar. O prazo limite para reembolsar o Estado é junho de 2017.

“As receitas na banca são uma área fundamental, em linha com a evolução do setor”.

Com 670 sucursais, o BCP fechou 24 balcões em 2015. O número de colaboradores reduziu-se em 309 para 7459. Após quatro de implementação do processo de reestruturação, “o Millennium bcp é hoje um dos bancos mais eficientes com um rácio de cost to income de 55%”, sublinhou o banqueiro. Em linha com os objetivos estratégicos definidos, a implementação do plano vai continuar. Construção, obras públicas e imobiliário são as operações não-core, no âmbito do acordo celebrado com a Direção-geral da Concorrência que deverá concluído no final de 2016.

O crédito em risco foi aumentando até junho de 2015, mas no último semestre o rácio baixou para 11,3%. Esta descida foi possível com o aumento da cobertura por imparidades de balanço e garantias reais e financeiras.

Na Polónia, o presidente do BCP sublinhou o “enquadramento difícil” e o imposto extraordinário sobre o setor, mas adiantou que mantém a expectativa de a operação recuperar a rendibilidade.

Polónia, Angola e Moçambique são “balanços autofinanciáveis e boa evolução do negócio”.

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