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“O dinheiro vai acabar dentro de cinco anos”

Foto: Filipe Amorim/Global Imagens
Foto: Filipe Amorim/Global Imagens

A previsão é do CEO da Easypay, que alerta para o futuro ameaçado dos bancos e não aconselha a investir em bitcoins

Entrar num supermercado e sair sem pagar já não é crime. Pelo menos em Seattle, nos EUA, onde a Amazon criou a primeira loja do mundo na qual, graças a uma aplicação e a um conjunto de sensores, é possível encher o carrinho e sair sem passar pela caixa registadora.

A conta é debitada no instante em que o cliente abandona o estabelecimento. É este um sinal de que estamos a caminhar a passos largos para uma vida sem dinheiro físico? “Não só sem o dinheiro na forma de moedas e notas mas também sem cartões”, antecipa Sebastião Lancastre, CEO da Easypay, uma fintech especializada em pagamentos eletrónicos.

A morte anunciada do dinheiro como o conhecemos já tem data marcada. Pelo menos na Europa, garante Sebastião Lancastre. “O dinheiro vai desaparecer dentro de cinco anos. A diretiva europeia que será transposta no final do ano incluirá a possibilidade de se fazer transferências em menos de dez segundos. E isso vai acelerar muito a desmaterialização do dinheiro”, explica o fundador da Easypay.

Sobre quem ganha e quem perde com a revolução financeira, Sebastião Lancastre não tem dúvidas. “Os comerciantes vão ter muito interesse nisto porque vão pagar comissões mais baixas. Os consumidores terão a vida simplificada e ganharão tempo para fazer outras coisas. Quem está verdadeiramente ameaçado são os bancos.”

Conceitos como contas à ordem ou créditos à habitação terão de ganhar um novo significado, sublinha o especialista, caso contrário, “os bancos um dia acordam e os clientes desapareceram”.

Em vez de contas à ordem, Sebastião Lancastre antevê a massificação das contas de pagamentos, “onde o dinheiro existe ou não existe, não há instrumentos de dívida como cheques ou saldo a descoberto”, explica.

“Os créditos à habitação são processos kafkianos e já há fintechs a aprová-los em três dias. Os clientes hoje querem coisas que os bancos não oferecem. Eu num banco não posso transferir dinheiro para uma pessoa sem lhe pedir o NIB, ou chegar a um restaurante e no fim dividir a conta, ou abrir uma conta à distância. Os bancos ainda funcionam na lógica de vender produtos. E nós já não queremos produtos, queremos soluções.”

Defensor acérrimo das chamadas criptomoedas, desvaloriza as consequências dos recentes ataques informáticos que culminaram com pedidos de resgate em bitcoins. “Os piratas receberam muito pouco dinheiro em bitcoins. Aquela conta hoje deve ter 150 mil olhos postos nela. Provavelmente nunca poderão tocar no dinheiro. A beleza maior destas moedas criptográficas é estarem ao alcance da vigilância de qualquer pessoa e não só das autoridades.”

Apesar de acreditar que o valor da bitcoin vai continuar a disparar nos próximos anos, após já ter subido 150% desde o início do ano, Sebastião Lancastre não aconselha a grandes investimentos na moeda. “É demasiado volátil, estas não são moedas para fazer poupanças mas para fazer transações. Eu próprio quando senti que tinha ganho o suficiente, tirei quase tudo, só tenho lá umas migalhas.”

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