Comissão de Inquérito Banif

Oitante. Centeno confirma venda de créditos de 69 milhões por 24 milhões

Mário Centeno, tal como Carlos Costa, recusa que Oitante esteja a vender créditos com um desconto superior a 95%, como acusam os trabalhadores

O ministro das Finanças confirmou esta tarde que a Oitante, sociedade que nasceu da resolução do Banif para ficar com os ativos não desejados pelo Santander Totta, vai vender um pacote de crédito malparado por 24 milhões de euros, num negócio que tem levantado bastante polémica. Tal como Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, também Mário Centeno recusou que esteja em causa um desconto superior a 95% na venda destes ativos.

O governador do banco central, também na sua última passagem pela Comissão de Inquérito ao Banif, confirmou igualmente o fecho iminente deste negócio por 24 milhões de euros, referindo que o valor contabilístico dos créditos em causa não ultrapassa os 69 milhões de euros. Visão distinta tem a própria comissão de trabalhadores da Oitante, que lembrou em comunicado que este mesmo bloco de créditos está avaliado em 426 milhões de euros.

Questionado sobre o negócio pelo Bloco de Esquerda, CDS e Partido Comunista, Mário Centeno confirmou que o “valor original” do pacote de créditos em questão estava realmente na casa dos 430 milhões de euros, valor que líquido de imparidades cai então para os 69 milhões agora apontados como book value, “já que as taxas de recuperação destes ativos são sempre muito baixas”, referiu Centeno.

Aquando da última passagem pela CPI, Carlos Costa explicou o mesmo, assegurando aos deputados que nos ativos integrados neste bloco a grande maioria não “tem colateral e já foram objeto de imparidades em valor bastante elevado, pelo que o seu valor, líquido de imparidades, é bastante baixo”, disse, recusando que o negócio vá ser fechado com um desconto de 94%. “O que está neste momento em causa é vender uma carteira de créditos vencidos, sem colateral, e com um valor contabilístico de 69 milhões de euros e que vão ser vendidos por 24 milhões. Não é um desconto de 90% como dizem”, referiu Carlos Costa.

“Este conjunto de ativos, de acordo com a informação que tenho, correspondem a um total de 18 mil clientes, muitos são créditos ao consumo”, explicou ainda Mário Centeno, que depois recordou que a “Oitante é detida pelo Fundo de Resolução e que é alvo de auditorias e análises regulares”, processos que avaliarão igualmente este tipo de operações por parte da Oitante. “É um conjunto de ativos de recuperação muito difícil”, reforçou ainda.

Questionado sobre se todos os créditos envolvidos neste negócio são financiamentos sem qualquer colateral, Mário Centeno apontou que são “praticamente” todos.

De acordo com a estrutura representativa dos trabalhadores da Oitante, neste pacote estão tanto créditos com colateral como sem colateral (Unsecured NPL e Secured NPL). Na posição assumida em maio por esta CT, o negócio é visto como “ruinoso, altamente lesivo dos interesses da Oitante, dos seus trabalhadores e dos contribuintes em centenas de milhões de euros”.

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