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Os nomes que Macedo quer a seu lado a liderar recapitalização da CGD

Paulo Macedo, futuro presidente da CGD. (Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens)
Paulo Macedo, futuro presidente da CGD. (Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens)

José João Guilherme é um dos eleitos e Esmeralda Dourado desmente entrada. Stephan Morais e Paulo Henriques estão a ser avaliados

“Paulo Macedo tem todas as condições para ser um bom líder da Caixa Geral de Depósitos, pelo trajecto profissional autoexplicativo, e pela independência e integridade.” Palavras de Esmeralda Dourado, em declarações ao Dinheiro Vivo. A gestora que fez carreira na SAG e chegou a ser convidada para a presidência executiva da CGD antes de Domingues e recusou, desmente a inclusão do seu nome na equipa de administradores não executivos, como chegou a ser veiculado por alguma imprensa.

O governo oficializou ontem a notícia avançada pelo Dinheiro Vivo, confirmando a escolha de Paulo Macedo para novo CEO e a nomeação de Rui Vilar para “Chairman”.

Em comunicado, o ministério das Finanças adiantou que vai agora “trabalhar na definição da composição do restante conselho de administração” em conjunto com o ex-ministro da Saúde e o atual presidente do conselho consultivo das Fundações. Contactados pelo DV, nenhum quis comentar.

A equipa em formação

Dos contactos feitos, o Dinheiro Vivo apurou que José João Guilherme está igualmente a caminho da equipa executiva de Macedo. É ex-quadro do Millennium BCP, onde se terá cruzado com o futuro líder da Caixa e que, de acordo com amigos comuns, criaram uma “boa relação e até amizade que se manteve até hoje”.

Além de José João, terão sido encontradas duas soluções internas para a administração executiva, mas ainda estão em análise: Stephan Morais, administrador da Caixa Capital, e Paulo Henriques, administrador do Caixa BI.

Na opinião de economistas e banqueiros contactados e que preferem manter o anonimato, “faz todo o sentido encontrar soluções internas para a nova estrutura em vez de se cometer o erro do passado, pela administração de Domingues, que só foi buscar quadros fora”.

Ainda de dentro da CGD, mas em situação diferente, estão outros três nomes que já se ofereceram para ficar, caso a gestão o entenda: Tiago Ravara Marques e João Martins, que vieram do BPI, e Pedro Leitão, ex-PT.

CGD e réplicas no sistema

“O que posso dizer é que ao fim de um ano o sistema financeiro está mais estável, mais robusto e mais capitalizado em Portugal” comentou a propósito da CGD o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, em entrevista a publicar pelo DV. A crítica do governante vai sobretudo para o que não foi feito antes de 2015: “É um processo que toda a gente tem que reconhecer, que se avançou muito menos nos anos de ajustamento do que se deveria ter avançado e avançou-se muito mais este ano do que as pessoas estavam a espera, isso foi muito positivo.”

A dimensão do banco público acaba por lhe dar uma responsabilidade que mais nenhum outro tem: servir de âncora a uma frota que ainda aparenta alguma falta de rumo. Não é por acaso que só depois de avançar a recapitalização da CGD é que o governo colocará a solução para o crédito malparado do setor em andamento. A estabilização da Caixa é vista como sinónimo de estabilização do setor financeiro.

Esta semana, as agências de Rating DBRS e Standard & Poor’s manifestaram alguma preocupação face aos atrasos que a troca de gestão na CGD pode implicar no plano de capitalização mas também com os custos que a emissão privada prevista no plano pode vir a exigir. A nomeação de ontem servirá para acalmar os receios das agências?

“De certa forma sim, tendo em conta a experiência que Paulo Macedo tem na banca”, comenta a Patris Investimentos. “O plano de capitalização terá de ser validado pelo novo presidente, mas de qualquer forma [a nomeação] é um alivio para os colaboradores, clientes, e para o sistema, diz já Pedro Lino da DIF. “A nomeação, assumindo que será aceite pelo BCE, é positiva mais não seja porque a situação anterior não estava a dar confiança dada a fragilidade crescente da posição de Domingues”, comenta Filipe Garcia, da IMF. A aprovação de Macedo pelo BCE pode demorar duas semanas.

Agências e analistas realçam que pouco se sabe sobre o futuro da CGD e que a emissão privada pode ter custos elevados. “Há muito por fazer em termos estratégicos. É importante perceber o que se quer da CGD. Que segmentos de mercado vai cobrir, qual a dimensão que necessita e se as contas atuais refletem a realidade”, diz Garcia.

“As dúvidas que a DBRS sobre a capacidade de ser colocada a emissão de mil milhões de euros de instrumentos de dívida subordinada estão também relacionadas com as condições de mercado para este tipo de dívida, o que poderá ter impacto no preço que o banco irá ter de pagar”, refere a Patris. Neste aspeto, o analista da DIF diz: “a credibilidade e profissionalismo de Macedo são conhecidas e reconhecidas e ajudará à colocação da divida subordinada”.

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