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Paulo Macedo: “Estado não deve intrometer-se no crédito”

Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos. Fotografia: Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens
Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos. Fotografia: Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens

Plano acordado com Bruxelas tem de ser cumprido. Mas Caixa quer renegociar algumas condições.

Paulo Macedo considera que é necessário o Estado definir qual a sua “função acionista”. E defende que não “deve intrometer-se no crédito, na política de crédito e dar orientações para comprar e vender ativos”. O líder do banco público diz que no passado a instituição foi gerida como uma entidade de gestão de participações sociais. E que à luz das regras atuais não é concebível que seja essa a missão da CGD, apesar de considerar que na altura não fosse propriamente caótica.

O presidente do banco público defende que a missão do banco público não é “maximizar o lucro”, mas que tem “de remunerar os seus trabalhadores e o dinheiro dos contribuintes”. Adverte que a instituição tem de ser rentável. Recordo que a Caixa Geral de Depósitos correu o risco de ser alvo de um processo de resolução. E é para assegurar que não volta a correr esse risco que tem de continuar a cumprir com o plano estratégico acordado com a Comissão Europeia, segundo Paulo Macedo.

O líder do banco, que tem executado um plano que tem resultado no corte de balcões e funcionários, diz que “neste quadriénio há um plano estratégico que é essencial para que a CGD não tenha o risco do que podia ter acontecido”.O responsável da Caixa detalhou que “sem 8% de capital, a Caixa poderia ser resolvida”. Esse argumento tinha também sido deixado pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, para justificar a recapitalização do banco.

No entanto, Paulo Macedo adverte que a questão da rentabilidade “não é um já agora”. E referiu que sem lucro, os bancos terão de pedir mais dinheiro ao acionista o que no caso da CGD não é possível devido às regras europeias das ajudas de Estado. Refere que “não há legislação nem para Portugal nem para Alemanha que distinga rankings de rentabilidade” entre bancos públicos e privados.

Renegociação no plano

Apesar de defender que o plano tem de ser cumprido, Paulo Macedo realça que dada a execução dessas condições tem sido possível renegociar alguns termos com Bruxelas. Exemplificou com a segunda emissão de dívida para investidores privados, que a Comissão Europeu permitiu que incidisse em títulos com menor grau de subordinação, logo com menores taxas de juro.

Na primeira operação imposta por Bruxelas, o banco comprometeu-se com um juro acima de 10%. Na segunda emissão, a taxa ficou em torno de 5%. Além dessa concessão, Paulo Macedo realçou ainda que, contrariamente ao previsto no plano, foi possível manter a sucursal em França.

O presidente da Caixa referiu que “tentaremos renegociar mais algumas coisas e ficar com mais presença internacional”. E apontou ainda que as metas para a margem financeira também poderão ser revistas, já que o cenário para as taxas de juro é bastante diferente do que quando o plano foi negociado.

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