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Plataforma para malparado está a avançar mas é preciso defender as empresas

Elisa Ferreira Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA
Elisa Ferreira Foto: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Elisa Ferreira, administradora do BdP, pede que se criem instrumentos que permitam reestruturar empresas devedoras, já que muitas apresentam solidez

O governo, Banco de Portugal e os principais bancos estão a trabalhar na criação de uma plataforma integrada de gestão de créditos não produtivos (malparado), confirmou Elisa Ferreira, administradora do banco central. Mas o ataque ao problema do malparado não deve olhar apenas para os problemas que estes criam nas contas dos bancos mas sobretudo para os vários milhares de micro, pequenas e médias empresas envolvidas nestes processos.

“Há que criar instrumentos que permitam que essas empresas sejam requalificadas e reestruturadas”, defendeu Elisa Ferreira, no âmbito da sua audição no Parlamento esta terça-feira. “Do lado devedor, era importante que houvesse acompanhamento de empresas, são muitas PME, que até têm robustez económica mas estão estranguladas financeiramente. Era importante ter alguns recursos para devedores, fontes de financiamento com viabilidade económica”, sugeriu a administradora do banco central, no âmbito da sua audição no Parlamento, esta terça-feira.

Elisa Ferreira confirmou então as indicações avançadas este mês, de que governo, o Banco de Portugal e os principais bancos estão a trabalhar na criação de uma plataforma integrada de gestão de créditos de má qualidade, sobretudo no segmento empresarial. “Ainda não existe, há apenas um entendimento para gerir entre os próprios bancos, créditos específicos que eles selecionem. Estão a trabalhar nas regras e para maximizar diálogo com as empresas.”

Esta é apenas uma das dimensões em que o problema dos créditos malparados está a ser analisado pelas autoridades, explicou. Do ponto de vista de supervisão, as autoridades querem ainda melhorar o enquadramento para um mercado secundário de malparado, já que até ao momento “as limpezas de balanço têm sido feitas através do write-offs [reconhecimento de perdas] e não pela venda dos ativos. Queremos estimular isso.”

Elisa Ferreira reconheceu no entanto que a questão é complexa, sem respostas simples. Lembrou que outros países criaram o tal veículo em enquadramentos diferentes – “numa fase em que a análise a auxílios estatais estava de certa forma suspensa” – e que esse tipo de soluções “esgotou-se em 2013” e foram “mais condicionadas” a partir de 2014, com a supervisão única. Mas criar o veículo levanta problemas, tem custos e é por isso difícil de enveredar por esse caminho.

“Se os ativos forem retirados dos balanços dos bancos, a um preço próximo do mercado, o diferencial tem de ser coberto e isso exigirá novos influxos de capital, o que vai encarecer muito a operação”, explicou a administradora do Banco de Portugal. “Em alguns casos, assistimos a entradas diretas do Estado nos bancos, mas isso não interessa ao país”, continuou. Por fim, “alternativamente pode-se tirar ativos do banco a um preço muito próximo do balanço a um impacto menor”. Mas o veículo que os receber irá sempre exigir “envolvimento de dinheiro dos contribuintes”.

Esta foi a razão para Portugal ter sentido a “necessidade de se avançar com plataforma: os NPL ficam nos balanços, geridos de forma mais articulada”. Mas se a situação evoluir, a solução também evoluirá: “Nada impede que em breve existam condições para fazer a transferência dos ativos, então que se faça. Mas o Banco de Portugal analisou todos os créditos, banco a banco, e não é prudente começar pela transferência de pacotes de créditos sem antes perceber como podem ser geridos.”

 

 

 

 

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