Agência de Rating

Portugal. Fitch antecipa défice de 2,9% em 2017 com impacto da CGD

O presidente da da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo (E) e Rui Vilar,durante a conferência de imprensa para   apresentação  dos resultados do exercício de 2016 e  ponto de situação sobre o plano de recapitalização da Caixa, Lisboa, 10 de março de 2017. ANTÓNIO COTRIM/LUSA
O presidente da da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo (E) e Rui Vilar,durante a conferência de imprensa para apresentação dos resultados do exercício de 2016 e ponto de situação sobre o plano de recapitalização da Caixa, Lisboa, 10 de março de 2017. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Fitch prevê que Portugal tenha um défice de 2,9% do PIB em 2017, incluindo "um impacto de 1,1%" à conta da recapitalização da CGD, refere a agência

A Fitch Ratings saudou esta tarde os esforços das autoridades e do governo português em resolver os problemas que lhes foram legados na banca portuguesa, afirmando que a concretização da entrega do Novo Banco ao Lone Star irá clarificar a dimensão da exposição soberana ao setor financeiro, sobretudo depois de também ter sido aprovada a recapitalização da CGD.

Contudo, e sobre a solução encontrada com Bruxelas para o banco público, a agência de rating acredita que esta irá ter um impacto de 1,1 pontos no défice orçamental deste ano, prevendo que as contas públicas fechem 2017 com um défice de 2,9% – já em fevereiro último, aquando da reavaliação ao rating português, a Fitch tinha previsto este impacto da CGD, antecipando então um défice orçamental “próximo de 3%”.

“O governo levantou capital para recapitalizar a CGD no ano passado e tal refletiu-se nos nossos números para a dívida em 2016. Já para 2017, prevemos um défice de 2,9% do PIB, incluindo um impacto de 1,1% do PIB oriundo da transação da CGD”, aponta a Fitch no comentário divulgado esta tarde – ou seja, sem o banco público o défice seria de 1,8%, valor que compara com os 1,6% previstos no OE2017.

Na visão atualizada da agência sobre o setor financeiro português são vários os “mas” que a Fitch associa à melhoria das perspetivas para a estabilização dos bancos. Além dos riscos associados à concretização da entrega do ex-BES ao Lone Star, a Fitch lembra também que o avanço de uma solução para o crédito malparado dos bancos presentes em Portugal permanece uma incógnita, e que “novos custos impostos pelos bancos às contas públicas não podem ser riscados”.

Começando a atualização da sua visão sobre a banca portuguesa com a recapitalização da CGD, a agência de rating lembra o recente avanço da primeira emissão de 500 milhões de euros para fundos privados, o que “permitiu a injeção de 2,5 mil milhões pelo Estado” no banco público.

Depois de estimar o impacto de 1,1% no défice de 2017 destas operações com a Caixa Geral de Depósitos, a Fitch reconhece no entanto que a recapitalização vai deixar o banco “em melhor forma para melhorar a rentabilidade”.

Também a entrega do Novo Banco ao Lone Star deverá “melhorar o sentimento dos investidores em relação ao setor bancário” português, apontam, ainda que neste caso os analistas ainda não considerem o negócio como algo certo: “O acordo está sujeito a algum risco de execução. Exige a aprovação por parte das autoridades da UE e a obtenção de um ganho de 500 milhões de euros com a renegociação voluntária de obrigações, cujos detalhes ainda estão em discussão”, lembram.

Ainda em relação ao negócio fechado entre o Banco de Portugal, o Fundo de Resolução, Bruxelas e o Lone Star, a Fitch lembra que este não envolveu qualquer receita para o lado português e que inclui ainda a possibilidade do “Fundo de Resolução ser chamado a contribuir com 850 milhões de euros por ano” para ajudar o fundo abutre a lidar com eventuais ativos tóxicos que ficaram no balanço do ex-BES.

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