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Portugueses já não desconfiam do dinheiro digital e anseiam o que está para vir

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Último estudo da Visa revela que 75% dos portugueses inquiridos já utiliza os dispositivos móveis para pagar as contas

Custou, mas foi. Os europeus estão finalmente a aderir em massa aos pagamentos digitais. Incluindo os portugueses. O último estudo da Visa sobre a evolução dos pagamentos sem dinheiro físico revela que 75% dos portugueses inquiridos já utiliza os dispositivos móveis como substituto do banco. Um valor muito próximo da média europeia, que este ano subiu para os 77%.

“Estamos a chegar ao patamar da aceitação. Demorou um pouco mais do pensámos quando lançámos a tecnologia”, revelou Bill Gajda, líder do departamento de Inovação de Parecerias Estratégicas da Visa, durante a apresentação à imprensa do estudo Digital Payments, que teve lugar esta quarta-feira em Barcelona.

O estudo, que este ano inclui Portugal pela primeira vez, conclui que verificar o saldo através de uma aplicação bancária é a principal preocupação dos portugueses, com 59% de respostas afirmativas. Cerca de metade dos inquiridos já utiliza o smartphone ou o tablet para fazer compras e 42% sente-se à vontade para transferir dinheiro para amigos ou familiares.

Os valores estão próximos das médias europeias, onde no espaço de um ano foi visível o salto no grau de aceitação dos consumidores sobre as aplicações bancárias. Em 2017, 62% dos europeus admite controlar as finanças pessoais no telemóvel. No ano passado, eram apenas 29% os consumidores que utilizavam uma aplicação deste tipo.

“Os pagamentos digitais não estavam a pegar, há cinco ou seis anos, porque nem todos os telefones estavam preparados, não havia terminais suficientes. E havia, no geral, pouca aceitação, devido à falta de confiança dos consumidores nestes sistemas. O fator crucial neste tema é a educação dos consumidores, dos comerciantes e do ecossistema. Estamos a falar do nosso dinheiro e não do download de uma música. Tem de haver um modelo de confiança entre os consumidores e as marcas. E isto leva tempo”, sublinhou Bill Gajda.

Para Paula Antunes da Costa, Country Manager da Visa em Portugal, o caminho está a fazer-se aos poucos.“Há cada vez mais soluções de autenticação e de proteção e mais camadas de segurança. Logo, ela torna-se mais evidente. Além disso as pessoas vão vendo outras pessoas a usar estes sistemas e adquirem confiança”, afirmou ao Dinheiro Vivo.

A responsável conta que em Portugal, a grande aposta da Visa é a tecnologia contactless, na qual o pagamento é feito com a aproximação do cartão bancário a um terminal.

“Estamos abaixo da média europeia nos pagamentos contactless. Ainda temos de fazer algum trabalho e desmistificar dúvidas. Mas também é preciso promover o lado da aceitação. Muitas pessoas ainda não sabem se podem usar o seu cartão contactless nas lojas. São necessários mais pontos de aceitação, mais sinalética, mais ação por parte do comerciante. Mas o facto de grandes players como a Apple e a Samsung estarem a privilegiar o contactless como forma de pagamento móvel confirma a nossa crença de que é uma tecnologia para o futuro e que vai suportar muitas formas de pagamento digital. Estamos a trabalhar na aceleração deste sistema em Portugal”, conta Paula Antunes da Costa.

Sobre os resultados do estudo, a responsável afirma ter ficado surpreendida “pela positiva” com “o à vontade e o interesse dos portugueses pela biometria”, onde o país fica à frente da média europeia. 86% dos inquiridos em Portugal garante ter confiança nos sistemas de autenticação baseados na impressão digital ou no reconhecimento facial, face à média europeia de 84%, que ainda assim subiu 25% num ano.

O responsável pelo departamento de inovação da Visa aposta todas as fichas nesta tecnologia.“A biometria está hoje em todo o lado. Acho que vamos chegar muito rapidamente ao que chamamos biometria de comportamento. Porque se pensarmos nas impressões digitais, elas ainda implicam a necessidade de o utilizador fazer alguma coisa. E com o reconhecimento facial, temos de colocar o rosto perto de um sensor. Mas já estamos a caminho de uma era em que os dispositivos vão conseguir reconhecer os movimentos. A forma como andamos é tão única como a nossa impressão digital. E será possível fazer pagamentos assim”, antecipa Bill Gajda.

Para trás parecem estar a ficar as redes sociais. Entre os inquiridos no estudo da Visa, 66% confessa-se “desconfortável” em partilhar dados bancários com Mark Zuckerberg e companhia.

“Quando olho para grandes empresas como o Facebook, que apostaram muito no desenvolvimento das plataformas de pagamento P2P, e que oferecem uma experiência muito positiva aos utilizadores, vejo que ainda têm um grande caminho a percorrer até ganharem a confiança dos consumidores e conseguirem tornar-se numa opção de pagamento de larga escala”, afirma Bill Gajda.

Imagem: Visa

Imagem: Visa

Sem surpresas, a geração millennial segue na linha da frente no que toca a escolher o smartphone ou tablet para pagar uma conta. Em Portugal, 65% dos millennials já usam o seu banco online, e 94% acreditam que até 2020 serão utilizadores recorrentes do dinheiro em que não se pode tocar.

A jornalista viajou para Barcelona a convite da Visa

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