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Precisa de crédito? Como conseguir um “sim” do banco

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Saiba como preparar-se para que o seu pedido de empréstimo ao banco seja aprovado sem demoras e complicações

Pedir um crédito quando não há poupanças é uma tentação. Grande parte dos portugueses não hesita em pedir dinheiro emprestado para comprar casa, fazer uma viagem ou manter-se atualizado em bens de consumo, comprando uma televisão, computador ou smartphone de nova geração. Mas antes de entrar confiante na reunião com o seu gestor de conta, prepare-se bem.

Tem o nome na lista negra?
Antes de mais, como está o seu cadastro nos registos centrais do Banco de Portugal? Falámos com um jovem casal, a Ana e o António, que têm um trabalho fixo com contrato por conta de outrem e juntos recebem mais de 3000 euros por mês. Estavam seguros de que reuniam as condições para que lhes fosse concedido um crédito e assim comprarem um apartamento de dois quartos fora do centro da sua cidade. Mas a realidade foi outra.

Os seus nomes aparecem no registo de incumprimentos do Banco de Portugal onde os credores indicam quem não pagou as prestações dentro do prazo. As suas dívidas passadas não regularizadas e a má gestão das suas finanças pessoais vieram para lhes destruir o sonho.
Assim, comece por consultar essa lista. Com a sua senha de autenticação do Portal das Finanças, consulte o seu mapa online na Central de Responsabilidades de Crédito. Depois, selecione o período temporal desejado e clique em “Autenticar e obter mapa.”

Na maioria dos casos, o banco não pode ver o nome da empresa credora que incluiu os seus clientes nesta lista negra do banco central, mas apenas o montante e o tipo de dívida: empréstimos em atraso, taxas de cartões de crédito não pagas, valores a descoberto na conta, garantias bancárias não satisfeitas, dívidas com operadores de telecomunicações ou atrasos no pagamento de uma fatura, por exemplo. Não é fácil conseguir retirar o seu nome desta lista, ainda mais porque muitas empresas credoras começaram a vender as suas dívidas a outras empresas que, de forma persistente, tratam de cobranças difíceis.

Poupar para pedir
Prepare-se para pagar. Os bancos não lhe vão emprestar tudo o que precisa. Sempre foi assim, mas está pior desde que o Banco de Portugal recomendou às instituições de crédito que a partir de 1 de julho limitassem os novos créditos à habitação, créditos com garantia hipotecária ou equivalente e créditos ao consumo. No caso do crédito à habitação própria e permanente sugeriu que o rácio loan-to-value (LTV), entre o montante do empréstimo e o valor do imóvel dado como garantia, fosse de 90%; de 80% para créditos com outras finalidades que não habitação própria e permanente; e de 100% para créditos para aquisição de imóveis detidos pelas instituições e para contratos de locação financeira imobiliária.

Veja se pode pagar
A primeira coisa que interessa ao banco é o nível dos seus rendimentos, ou seja, a sua capacidade de cumprir com o pagamento das prestações. A taxa de esforço é uma questão essencial para o Banco de Portugal, que estabeleceu o limite de 50% ao rácio debt service-to-income (DSTI), entre o montante da prestação mensal calculada com todos os empréstimos do consumidor e o seu rendimento.

Contudo, há exceções: até 20% do montante total de créditos concedidos por cada instituição, em cada ano, pode ser concedido a consumidores com DSTI até 60%; até 5% do montante total de créditos concedidos por cada instituição, em cada ano, pode ultrapassar os limites previstos ao DSTI.
No caso de ser empregado, o banco vai avaliar o tipo de contrato, cargo, salário, antiguidade e a credibilidade da empresa. Assim, para obter uma avaliação positiva, deve estar na empresa e ter um contrato com prazo não inferior a meio ano, segundo os especialistas.

Estas recomendações são importantes para as instituições de crédito em termos prudenciais, apesar de, segundo José Gonçalves, professor no Instituto Superior de Gestão Bancária da Associação Portuguesa de Bancos, “poderem vir a limitar a concessão de crédito a agregados familiares de recursos mais baixos”. Mas considera que “obrigam as famílias a constituírem alguma poupança para uma futura aquisição de habitação.”

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