Prejuízo histórico força BES a aumentar capital

BES registou prejuízo semestral de 3,57 milhões de euros
BES registou prejuízo semestral de 3,57 milhões de euros

Passavam poucos minutos das 21 horas quando se ficaram a conhecer os resultados mais aguardados das últimas semanas. O BES revelou um prejuízo semestral histórico de 3,57 mil milhões de euros.

A exposição às empresas
do Grupo Espírito Santo (GES), a Angola e a imparidade da Portugal
Telecom explicam grande parte das perdas. As “imparidades” e
“contigências” custaram 4,25 mil milhões de euros ao banco,
empurrando os resultados para um prejuízo de que não há memória e
que ditaram a queda do rácio de capital para 5%. Isto quando o
mínimo exigido pelo Banco de Portugal se situa nos 7%.

No
caso da exposição às empresas do GES (sem contabilizar as
seguradoras), o Conselho de Administração decidiu constituir
provisões para imparidades no valor de 1,2 mil milhões de euros.
Isto significa que, perante uma exposição a estas empresas de 1,57
mil milhões de euros, o BES assegurou uma provisão de 77% do
montante. Ou seja, um valor acima dos 50% que o Banco de Portugal
recomendou às instituições financeiras com exposição ao GES (que
não tivessem garantias de capital) fizessem.

Perante estes
factos, as dúvidas dissiparam-se: o BES vai mesmo ter “de aumentar
o capital do banco” para reforçar os rácios e garantir a solidez
do banco, sobretudo numa altura em que se avizinham os testes de
stress e de avaliação de qualidade dos ativos, que serão
realizados pelas autoridades europeias. Vítor Bento, o atual CEO do
banco, haveria de confirmar essa mesma necessidade num comunicado,
onde explica o plano de capitalização do banco.

Vítor Bento
afasta a necessidade de recorrer à ajuda pública. No comunicado, o
atual CEO explica que, “nas últimas semanas, o banco tem assistido
a manifestações de interesse de atuais e potenciais acionistas em
participar no plano de capitalização, alguns expressando mesmo
interesse em tomar participações significativas. Esta mesma
informação foi transmitida à equipa de gestão pelo consultor
financeiro (Deutsche Bank) que, como recentemente comunicado, foi
contratado pelo banco para assessorar a otimização da estrutura do
seu balanço”. Abre-se assim a porta para uma mudança na
composição acionista do BES, devendo ser convocada em breve uma
nova assembleia geral para aprovação do aumento de capital. Bento
não quantifica mas, no mercado, fala-se na possibilidade do aumento
de capital superar os 2000 milhões de euros.

O BES prevê
também “uma avaliação exaustiva dos ativos que seja possível
alienar, nomeadamente, mas não só, dos associados a algumas
presenças internacionais que não sejam estratégicas”, revela o
CEO, sem detalhar quais poderão ser esses ativos. A saída dos
mercados do norte de África, a par da participação de 10% que o
BES tem na Portugal Telecom poderão ser alguns desses ativos.

Sem
contar com os fatores extraordinários, e contabilizando apenas a
atividade corrente do banco, os prejuízos teriam ascendido a 255,4
milhões de euros, que comparam com os números negativos homólogos
de 237,4 milhões.

Os principais indicadores revelam que uma
quebra dos depósitos de clientes, de 5,2% para os 35,9 mil milhões
de euros, e uma subida do crédito concedido a clientes, de 0,3% para
os 51,3 mil milhões.

A equipa de Vítor Bento demarcou-se
assim das responsabilidades das contas. “Os membros Conselho de
Administração cooptados a 13 de julho não intervieram no processos
de elaboração e aprovação das presentes demonstrações
financeiras consolidadas referentes ao primeiro semestre de 2014”,
refere o comunicado.

Ainda assim, Vítor Bento admite processa
ex-administradores caso se venham a comprovar que cometeram atos
ilícitos que penalizaram as contas do banco.

“O conselho de
administração está empenhado em apurar todos os factos que
conduziram à necessidade de proceder a este conjunto adicional de
provisões e propõe-se adotar todas as medidas que se encontrarem ao
seu alcance com vista a recuperar os montantes máximos possíveis
dos créditos ora provisionados e a fazer com que o banco possa ser
ressarcido pelos prejuízos causados por via de eventuais
comportamentos ilícitos que venham a ser apurados, por parte de
indivíduos ou entidades, através dos vários meios e instâncias a
que poderá recorrer para o efeito”.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho (D), e o secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita (E). Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Salário mínimo de 635 euros? Dos 617 dos patrões aos 690 euros da CGTP

concertação

Governo sobe, sem acordo, salário mínimo até 635 euros em 2020

concertação

Governo sobe, sem acordo, salário mínimo até 635 euros em 2020

Outros conteúdos GMG
Prejuízo histórico força BES a aumentar capital