CGD

Pressão para exonerar Carlos Costa aumenta

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal. Fotografia: Gustavo Bom/Global Imagens
Carlos Costa, governador do Banco de Portugal. Fotografia: Gustavo Bom/Global Imagens

Pressão aumenta sobre o governador do Banco de Portugal. Carlos Costa pediu escusa nas decisões sobre auditoria da EY.

O Bloco de Esquerda avançou ontem com um projeto de resolução para recomendar ao governo a exoneração do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. O CDS afirmou também que a questão da exoneração se coloca e o PCP admite apoiar o pedido do Bloco. Já o governo garante que “serão tiradas todas as consequências sem olhar a quem”.

A pressão sobre Carlos Costa aumentou depois da revista Sábado ter noticiado que o governador do Banco de Portugal, que foi administrador da CGD entre 2004 e 2006, não se opôs a alguns dos créditos ruinosos concedidos pelo banco público. Entre os casos citados estão financiamentos a Joe Berardo, Manuel Fino e ao empreendimento Vale do Lobo que levaram a prejuízos de dezenas de milhões de euros.

Após essas notícias, o governador informou, na passada sexta-feira, que pediu escusa nas decisões decorrentes das conclusões da auditoria especial da EY aos atos de gestão na Caixa entre 2000 e 2015. Essa análise identificou problemas na concessão de crédito que originaram perdas superiores a 1,6 mil milhões de euros para o banco público.

No entanto, o esclarecimento de Carlos Costa surgiu mais de meio ano depois do Banco de Portugal ter recebido a auditoria pedida pela CGD à EY, em junho do ano passado. Esta segunda-feira, o governador fez mais uma nota, dizendo que o pedido de escusa tinha sido pedido no início de novembro. Mas antes disso, o supervisor liderado por Carlos Costa tinha pedido à CGD para reavaliar gestores que estavam no banco público nos períodos identificados pela auditoria da EY.

A Sábado tinha indicado também que o marido de Elisa Ferreira, vice-governadora do Banco de Portugal, foi vice-presidente da espanhola La Seda. Esta empresa recebeu créditos que resultaram em prejuízos para o banco público. Mas o supervisor informou, citado pela Lusa, que Elisa Ferreira considera não existirem razões que possam influenciar a sua atuação na supervisão da CGD, não tendo pedido escusa da participação em decisões sobre situações analisadas na auditoria.

Sem avaliação

Há antigos administradores da CGD que estão a ser reavaliados pelo Banco de Portugal. E a atuação no banco público terá já impedido a luz verde para que Norberto Rosa e Pedro Cardoso exercessem funções, respetivamente, no BCP e no Bison Bank. No entanto, o governador do banco central não vai passar por um processo de reavaliação desse tipo.

No seu projeto de resolução, o Bloco defende que “sem a possibilidade de aferir a sua idoneidade face ao comprovado envolvimento na CGD, Carlos Costa não cumpre as condições de escrutínio e isenção para o desempenho das funções de Governador do Banco de Portugal”.

Do lado do governo, o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Mourinho Félix, garantiu que “serão tiradas todas as consequências sem olhar a quem”. E o Bloco não está sozinho na pressão para a exoneração do governador. Jerónimo de Sousa, líder do PCP, admite acompanhar esse pedido. E o CDS, pela voz do João Almeida, considera que “é indiscutível que a [questão da] exoneração tem de se colocar”.

Leitão Amaro, deputado do PSD, argumenta, no entanto, que as conclusões só devem ser tiradas após a comissão de inquérito e critica a iniciativa do Bloco de Esquerda. Mas conclui que “ninguém é intocável, seja o atual ou o anterior governador do Banco de Portugal, os antigos administradores da CGD ou os revisores”.

 

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