Dívidas

Processo de bancos contra Berardo já avançou

José Berardo
José Berardo

Estão em causa dívidas do empresário madeirense ao Novo Banco, Millennium bcp e Caixa Geral de Depósitos.

O processo de três bancos com vista a executar Joe Berardo por dívidas de 962 milhões de euros já deu entrada no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa.

Estão em causa dívidas do empresário madeirense ao Novo Banco, Millennium bcp e Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Além de Berardo, também são visadas na ação a Fundação José Berardo, a Metalgest e a Moagens Associadas, segundo dados divulgados no portal Citius. A notícia foi primeiro avançada pelo Expresso.

O processo deu entrada no tribunal no dia 20 de abril. A ação conjunta dos três bancos foi noticiada pelo Correio da Manhã a 8 de abril.

A maior parte do crédito vencido está no BCP e na CGD. Os bancos decidiram avançar pela via judicial depois de Joe Berardo ter recusado o acordo que tinham proposto e que tinha como eixo central a Fundação Berardo e a coleção de obras de arte.

A estratégia jurídica dos bancos passa por demonstrar que Berardo é o último beneficiário de empresas que estão na sua esfera.

No caso da Coleção Berardo – que está instalada no Centro Cultural de Belém -, a coleção de arte foi dada como garantia aos três bancos. Há muitas dúvidas sobre se pode ser executada. A Coleção Berardo foi avaliada pela leiloeira Christie’s em 2006 em 316 milhões de euros.

Um parecer da Direção de Gestão de Risco da CGD apontou que o património direto do empresário é apenas composto por uma garagem no Funchal.

Mas o empresário, que tem entre os seus negócios a Quinta da Bacalhôa, chegou a ser o quinto homem mais rico do país, com uma fortuna avaliada em 890 milhões de euros, segundo a revista Exame.

Berardo foi um ator de relevo em várias operações de luta pelo controlo acionista de grandes empresas em Portugal, como a Portugal Telecom, a Cimpor e o BCP.

O BES – atual Novo Banco -, CGD e BCP ajudaram Berardo a comprar ações do BCP, financiando o empresário. “Os bancos é que vieram oferecer-me crédito para comprar ações”, garantiu o investidor, numa entrevista ao Diário Económico, em 2011.

Nos jogos de poder, Berardo chegou a deter 7% do BCP. Quando as ações do banco afundaram em bolsa, o empresário viu a sua fortuna perder um terço do valor em apenas alguns meses, e acabou por dar como garantia a sua coleção de arte aos bancos.

Este não é caso único de um grande devedor da banca portuguesa que se furta ao pagamento das dívidas, deixando dúvidas sobre como grandes bancos em Portugal concederam financiamentos milionários sem acautelar as devidas garantias.

Neste momento, está em curso uma nova comissão parlamentar de inquérito à recapitalização da CGD e à gestão do banco público, que precisou de uma injeção de capital de 5.000 milhões de euros.

Portugal regista um dos níveis de crédito malparado mais elevados na Europa. Nos últimos anos, a crise no setor levou os bancos a cortar no número de trabalhadores e a encerrar agências pelo país.

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