Procura dava para reforçar capital do Banif em 180 milhões

Jorge Tomé, presidente do Banif
Jorge Tomé, presidente do Banif

O Banif concluiu com sucesso o aumento de capital de 138,5 milhões de euros que terminou ontem. Os resultados finais só serão conhecidos na próxima segunda-feira, em sessão especial de Bolsa, mas ontem, em conferência de imprensa, o presidente do banco, Jorge Tomé, revelou que "a procura foi superior a 180 milhões de euros, ou seja foi 30% superior à oferta". A somar a isto, o Banif quer antecipar em 6 meses o pagamento dos 125 milhões que ainda deve ao Estado.

Além de revelar alguns dados finais da operação, o presidente do Banif adiantou ainda que “o processo de reestruturação do banco continua, que foi aprovado um novo modelo de governação e um reagrupamento de ações até ao final do ano”. Com a conclusão do reforço de capital, o banco alarga significativamente a sua base acionista e aposta agora na estratégia de diminuir a participação remanescente do Estado o mais rapidamente possível. O acordo com o investidor da Guiné Equatorial mantém-se, apesar de existir a dúvida se deu ordens de compra de ações nesta operação, ficando com uma participação residual, ou se irá negociar posteriormente com o Estado a compra de uma posição na instituição financeira. “Continuamos a negociar com o investidor da Guiné Equatorial e não tem nada a ver com questões políticas”, salientou Jorge Tomé.

A conclusão desta operação vai fazer com que o Estado veja reduzida a sua participação no capital do banco de 68,8% para 60,5%, bem como dos direitos de voto de 58,7% para cerca de 49%. Deste modo, o Estado deixa de controlar o banco, ao perder a maioria dos direitos de voto. O Banif tem ainda como acionistas a Auto-Industrial, com 2,6% do capital, e a família Roque, com 7,7%.

Este reforço de capital, destinado ao público em geral e que ficou ontem concluído, servirá para fechar o processo de recapitalização que o Banif tem em curso. A instituição financeira encaixou 138,5 milhões de euros, através de mais de 13,85 mil milhões de ações que foram vendidas ao preço unitário de um cêntimo e com alocação prioritária para os atuais acionistas.

Em janeiro do ano passado, o Estado injetou 1100 milhões de euros no Banif, sendo 700 milhões em ações e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações, os chamados CoCo”s, dos quais já foram devolvidos 275 milhões. Neste momento, ficam agora por pagar 125 milhões. A comissão executiva tem a intenção de, logo que tenha as contas de junho fechadas e com o processo de capitalização encerrado, pedir a amortização dos CoCo”s. Ou seja, o Banif quer antecipar em seis meses o pagamento ao Estado que está apenas previsto até ao fim do ano.

A instituição financeira tinha ficado obrigada a realizar um aumento de capital de 450 milhões junto de investidores privados com o objetivo de reduzir a participação estatal. Até ao momento, já arrecadou 311,4 milhões em quatro aumentos de capital e são os restantes 138,5 milhões de euros que Jorge Tomé foi agora buscar.

Com esta operação, o Banif alargou a sua base acionista que poderá passar a contar com um investidor da Guiné Equatorial. As duas partes tinham assinado em fevereiro passado um memorando de entendimento para “a possível tomada de uma participação” que, no limite, permitiria cumprir os 138,5 milhões de euros que faltavam. No entanto, a administração do Banif decidiu não esperar pelo dinheiro desse investidor e avançou com o aumento de capital.

Ainda assim, o acordo com o investidor africano, que poderá ser o fundo soberano daquele país ou ainda empresas estatais de petróleo e gás, mantém-se após a operação. A expectativa da administração do banco é a de que a entrada deste investidor possa ficar concluída no primeiro semestre deste ano.

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