Futuro da Banca

Proposta da Fosun para o BCP pode ser já aprovada pela administração

Fotografia: Mário Cruz / Lusa
Fotografia: Mário Cruz / Lusa

Fosun quer ficar com 16,7% do banco através de um aumento de capital reservado e admite chegar aos 30%. Gestão diz que proposta tem pontos positivos

O conselho de administração do BCP vai, no início desta semana, debater a proposta dos chineses da Fosun para entrar no capital do banco. A reunião do conselho de administração poderá resultar já numa aprovação do projeto do dono da Fidelidade e da Luz Saúde, que propõe ficar com 16,7% do capital do BCP através de um aumento de capital reservado.

A Fosun vai gastar até 236 milhões de euros neste aumento de capital e admite reforçar o investimento, através de outro aumento de capital ou compra de ações no mercado, até um máximo de 30%, o que pode elevar a injeção de dinheiro fresco no banco para 500 milhões de euros, segundo as estimativas dos analistas.

A proposta foi entregue no final de julho e desde essa altura que o processo pouco avançou. O presidente da Fosun reuniu com o BCP e com o Banco de Portugal antes de a proposta ser apresentada, segundo o Jornal de Negócios, e a administração do banco, na informação prestada ao mercado sobre a oferta dos chineses, fez saber que a proposta tem pontos positivos e que seria analisada com a maior celeridade.

A operação prevê a emissão de 11,8 mil milhões de novas ações, a serem adquiridas pela Fosun, num valor total de 236,1 milhões de euros, representando 20% das ações do banco e 16,7% do capital social.

Assim, o BCP, que tem atualmente pouco mais de 56 mil milhões de ações – o banco vale 1,2 mil milhões de euros a 0,02 euros por ação, o preço máximo oferecido pela Fosun – ficará com 70,8 milhões de ações no total. A emissão de novas ações vai implicar a diluição da participação dos atuais acionistas e a Fosun ficaria como maior acionista. Atualmente, o capital do BCP conta com a angolana Sonangol como a maior acionista, com 17,84% do capital, seguida do Sabadell (5,07%), da EDP (2,71%), BlackRock (2,22%) e da InterOceânico (2,05%).

A concretização do negócio está sujeita a várias condições, nomeadamente a aprovação dos supervisores, o aumento dos limites de voto do BCP de 20% para 30% do capital, a implementação do processo de reverse stock split, a não contribuição para o Fundo de Resolução além da já prevista e dois administradores no board, incluindo-os também na comissão executiva. A proposta da Fosun prevê ainda “a possibilidade de o conselho de administração do BCP cooptar até um total de pelo menos cinco novos membros.

Para o BCP, a entrada da Fosun aumenta a estabilidade da estrutura acionista do banco, segundo disseram os analistas ao Dinheiro Vivo quando o negócio foi anunciado, ao mesmo tempo que permite a entrada de dinheiro fresco numa altura em que o mercado receia que o banco precise de um aumento de capital.

O BCP ainda tem cerca de 700 milhões de euros de CoCos para devolver ao Estado e aguarda autorização para pagar uma tranche de 200 a 250 milhões de euros. O banco tem de regressar aos lucros, depois de ter registado prejuízos de 197 milhões de euros no primeiro semestre devido a efeitos extraordinários, apesar de ter apresentado resultados positivos nos testes de resistência do Mecanismo Único de Supervisão.

Para o grupo chinês, esta entrada no BCP é “um novo passo no investimento em Portugal” e permite ganhar o controlo do maior banco privado nacional, depois da tentativa de compra falhada do Novo Banco, no primeiro concurso que foi lançado para vender o banco de transição, e vai ajudar a empresa a acelerar a entrada no mercado europeu e africano, nomeadamente em geografias como a Polónia, Moçambique, Angola e Suíça, mercados onde o BCP já tem presença.

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