Futuro da Banca

PS acusa PSD. “Objetivo era degradar a Caixa para poder privatizá-la”

PSD e CDS querem saber quais as necessidades de capital da CGD e o que implica o plano de reestruturação.

O deputado do PS João Galamba acusou hoje o PSD de não ter agido na Caixa Geral de Depósitos (CGD) enquanto esteve no Governo para “tornar inevitável a sua privatização”.

Os deputados estão a debater o sistema financeiro no Parlamento e o arranque da sessão ficou marcado por troca de acusações entre a esquerda e a direita sobre o estado atual do setor bancário, com João Galamba a dizer mesmo a Miguel Morgado do PSD que “o PS não vai de joelhos a lado nenhum. Está habituado a ir de pé. E se o senhor deputado está habituado a outras posições então o problema é seu.”

João Galamba respondeu às acusações da bancada da direita dizendo que “felizmente o PSD e o CDS já não estão no Governo porque se estivessem sabíamos que não conseguiriam resolver nada”.

E vai mais longe: “o que queriam fazer na Caixa era não resolver o problema para tornar inevitável a sua privatização”.

“Lá por terem alterado a posição não nos esquecemos do que defenderam e o comportamento negligente no Banif e na Caixa é prova disso. Passos Coelho diz que está preocupado com a Caixa mas não diz uma palavra sobre o Banif.”

“O objetivo era degradar a Caixa para poder privatizá-la”, atirou.

O PSD e o CDS, pela deputada Cecília Meireles, querem saber qual o montante de recapitalização da CGD.

“Qual é exatamente o montante das efetivas necessidades de capital da CGD tendo em conta o ambiente regulatório atual? Estas quantias que se falam estão acima ou não dessas necessidades de capital e se estão acima qual é a razão por que se pede um esforço tão grande aos portugueses?”, questionou Miguel Morgado.

Já Cecília Meireles acusou o governo de não responder às perguntas e quer que o PS esclareça “quais são exatamente os problemas que os senhores querem resolver e de que montante precisam. Não chega falar em crédito malparado”.

“Estamos a falar de reestruturação do grupo CGD? De encerramento de balcões? De despedimentos? Em caso de sim, de quantas pessoas?”, questionou.

À Esquerda acusou de ser responsável pelo “verdadeiro vendaval” em que está o setor bancário.

Cecília Meireles também lançou farpas ao Bloco de Esquerda: “não deixa de ser extraordinário que o BE tanta curiosidade tinha e deixe de ter essa curiosidade. Tinha tantas perguntas sobre o BES e o Banif e nenhuma tenha sobre a CGD.”

A deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua, na sua intervenção, acusou de se “andar a tapar o sol com a peneira” e lembrou os problemas do setor, desde o BES ao Fundo de Resolução.

“O PSD e o CDS insistem que a banca está em melhor condição. É pura negação motivada por gestão politica. É não querer assumir que é preciso fazer alguma coisa com a banca porque isso tem custos, e custos políticos e não quiseram assumir esses custos”, atirou.

“É preciso perceber o que é que o PS quer fazer de diferente”, avisou, frisando que recapitalizar a CGD é “fundamental”. “Esperar que o problema se resolva por si não resolveu e a prova são os quatro mil milhões que os contribuintes têm no Novo Banco”.

A intervenção de Mortágua foi marcada por ruído das bancadas da direita, que levou mesmo à intervenção do presidente da mesa. A deputada bloquista ironizou: “tanto burburinho, senhores deputados”

Os deputados estão a debater o sistema financeiro, numa sessão que está a ser marcada por troca de acusações, balanço do sistema financeiro e perguntas sobre a Caixa Geral de Depósitos.

 

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