Seguros

Regulador dos seguros preocupado com impacto de baixas taxas de juro

Margarida Corrêa de Aguiar, presidente da ASF. (Gerardo Santos / Global Imagens)
Margarida Corrêa de Aguiar, presidente da ASF. (Gerardo Santos / Global Imagens)

O Relatório de Análise de Riscos do Setor Segurador e dos Fundos de Pensões, referente ao segundo semestre de 2018, foi hoje divulgado.

A Autoridade de Supervisão dos Seguros e Fundos de Pensões está preocupada com o impacto no setor dos baixos níveis de taxas de juro, que aumenta as pressões sobre solvência e rentabilidade, segundo o Relatório de Análise de Riscos.

“Na avaliação recente da evolução dos riscos a que o setor segurador e de fundos de pensões se encontra exposto, merece renovado destaque o prolongamento do ambiente de baixas taxas de juro, em combinação com o risco de uma reversão abrupta dos prémios de risco dos títulos financeiros, passível de materialização na sequência de choques externos”, refere o Relatório de Análise de Riscos do Setor Segurador e dos Fundos de Pensões, referente ao segundo semestre de 2018, hoje divulgado.

As baixas taxas de juro têm vindo a ser referidas como uma preocupação para o setor bancário, uma vez que penalizam a margem financeira, e agora também o regulador do setor segurador e dos fundos de pensões se mostra preocupado com os efeitos nas empresas que supervisiona, perante a expectativa de que haverá um prolongamento dos níveis baixos, que contraria as anteriores expectativas de que iriam aumentar ligeiramente.

A ASF receia, segundo o documento, que as baixas taxas de juro se traduzam “em pressões sobre a rendibilidade e a solvabilidade dos operadores, por via de maiores dificuldades no cumprimento das garantias contratuais dos produtos existentes e no financiamento das responsabilidades com planos de benefício definido assumidas pelos fundos de pensões, bem como por constrangimentos na conceção de novos seguros financeiros com garantias suficientemente apelativas”.

Já sobre o previsto abrandamento do crescimento económico, diz a ASF que para se prepararem deverão os agentes do setor ponderar “criteriosamente as suas estratégias de investimento, com ênfase na diversificação das exposições e na identificação e gestão dos fatores de risco subjacentes”, assim como terem almofadas financeiras confortáveis, acima dos mínimos exigidos, para que possam “acomodar potenciais perdas financeiras”.

O Banco Central Europeu (BCE) manteve recentemente as taxas de juro diretoras — taxa de juro aplicada às principais operações de refinanciamento em 0%, taxa de facilidade permanente de cedência de liquidez em 0,25% e taxa de facilidade permanente de depósito em -0,40% – e deu a indicação de que poderá voltar a reduzir.

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