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Ricciardi convicto de que “haverá condenações no caso BES”

José Maria Ricciardi
José Maria Ricciardi

Ex-administrador do Banco Espírito Santo considera que resolução do banco foi um "erro colossal" e não tem dúvidas do desfecho das investigações.

José Maria Ricciardi está convicto sobre o desfecho das investigações à gestão do seu primo Ricardo Salgado. Em entrevista ao jornal Público, o ex-administrador do BES afirmou que “é verdade que a Justiça demora tempo, mas acaba por funcionar. Não tenho dúvidas que levarão a condenações”.

“Fui o único a exercer os meus deveres de diligência (…) Se me pergunta se fui perfeito, respondo que a perfeição não existe. Mas quando me apercebi de que a situação no grupo não era correta, fui o único a agir. E agi sozinho”, salienta Ricciardi.

Esta é a primeira entrevista que o banqueiro dá desde a resolução do banco, e, sobre esse tema, criticou o antigo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. “Eu aqui critico mais o dr. Pedro Passos Coelho e sou insuspeito pela relação muito forte que tenho com ele. O problema é mesmo a Resolução, que nunca devia ter sido feita. E não foi o Banco de Portugal que a quis, foi a União Europeia que a impôs, para fazer aqui uma nova experiência que praticamente não repetiu em mais lado nenhum”.

O antigo administrador do BES acredita que teria sido possível evitar a resolução, considerando que o BES não tinha grande exposição ao Grupo Espírito Santo, onde estava a fonte dos problemas. Ricciardi adiantou que “seis ou sete milhões de euros” teriam sido suficientes para evitar o colapso do BES”.

Questionado sobre a venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star, com uma almofada de segurança de 3,9 milhões de euros, Ricciardi defende que “se é para usar o dinheiro do Estado para ir saneando o banco, faria mais sentido mantê-lo na esfera pública, escolhendo gestores profissionais, vendendo-o quando o banco estivesse em melhores condições. Agora ser um privado a gerir os dinheiros do Estado, é uma solução que eu nunca vi em lado nenhum”.

“No Novo Banco há um problema de rentabilidade e de atividade económica por resolver”, afirma relativamente às dificuldades do Novo Banco em apresentar melhores resultados.

 

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