Criptomoedas

Santander barra clientes de receberem dinheiro investido em moedas virtuais

Fotografia: REUTERS/Albert Gea
Fotografia: REUTERS/Albert Gea

Clientes do Santander Totta tiveram de encontrar alternativas, como mudar de banco, para receber em euros o investimento feito em criptomoedas

Nas últimas semanas, o Santander Totta passou a ser visto como um banco anti-cripto por investidores em moedas virtuais. Clientes do banco com investimentos em criptomoedas, como a bitcoin, passaram a estar impedidos de receber transferências em euros para as suas contas bancárias de valores provenientes de bolsas de moedas virtuais da área única de pagamentos em euros (SEPA).

Segundo alguns clientes do Totta, a medida está em vigor desde o final de 2017. O tema tem gerado uma onda de críticas nas comunidades de moedas virtuais na internet e nas redes sociais, com investidores a procurar alternativas para poder retirar os seus investimentos de plataformas como a Coinbase e Bitstamp, convertendo-os para euros. Alguns clientes do Santander Totta mudaram logo de banco.

O Santander escusou-se a comentar a situação relatada por clientes seus, que se queixam da ausência de explicação.

Numa missiva enviada a um cliente do Santander, a Bitstamp informa que “o Banco Santander Totta não processa transferências com origem em negócios relacionados com bitcoin. Isto significa que qualquer transferência para o seu banco seria rejeitada e devolvida para a Bitstamp”, refere. O cliente acabou por abrir conta no Banco BIG e já recebeu a sua transferência em euros na conta.

O Banco CTT, o Novo Banco e a Caixa Geral de Depósitos confirmaram ao Dinheiro Vivo que os seus clientes podem fazer transferências normalmente. Sobre o Millennium bcp e o Banco BPI também não existem queixas atualmente.

No caso do Novo Banco, fonte oficial indicou que os seus clientes “podem efetuar transferências das suas contas para as carteiras virtuais das exchanges de criptomoedas genericamente através de duas maneiras: transferência bancária para o IBAN do exchange; compra via cartão de crédito/débito junto do exchange”. No sentido inverso, também não há obstáculos. O tema do investimento em moedas virtuais tem suscitado muito interesse na opinião pública, quer pelo volume de notícias que têm sido publicadas na imprensa, quer pelo hype de iniciativas com as ICO (Initial Coin Offering), quer pelo destaque que tem tido em eventos como a recente Web Summit. Investidores receiam que mais bancos sigam o Santander Totta.

O Banco de Portugal escusou-se a responder às questões, nomeadamente se tem recebido queixas de clientes do Santander Totta ou se este tipo de ação é legal.

Euforia nas moedas virtuais
Apesar dos alertas do Banco de Portugal e da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, cada vez há mais investidores a querer comprar moedas virtuais face às valorizações explosivas de diversas criptomoedas. A bitcoin é a mais valiosa. No início de 2017 valia 1000 dólares e no final de 2017 aproximou-se dos 20 mil dólares. O facto de começarem a ser negociados futuros sobre bitcoin nas bolsas nos Estados Unidos ajudou à euforia.

Esta semana, a AppCoin, uma moeda virtual lançada pela portuguesa Aptoide, estreou-se na plataforma Binance e, em 24 horas, tornou-se numa das 50 moedas virtuais mais valiosas do mundo com uma capitalização no mercado de 800 milhões de dólares (cerca de 668 milhões de euros).

Os bancos em Portugal acompanham o fenómeno e estão atentos, até devido às preocupações em torno do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, já que as plataformas de negociação de moedas virtuais podem eventualmente estar a ser usadas para aqueles fins.

“O Novo Banco tem diversos mecanismos de validação, acompanhamento e controlo das contas bancárias dos clientes, podendo a qualquer momento ‘intervir’ se assim for desejável”, garantiu fonte oficial do banco.

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