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Sem acordo à vista, CGD em França garante prolongar greve

Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos. Fotografia: ANTÓNIO COTRIM/LUSA
Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos. Fotografia: ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Intersindical francesa FO-CFTC reuniu com a CGD esta segunda-feira, e notou "ausência de propostas" por parte da empresa, revelou Cristina Semblano.

A porta-voz da intersindical francesa FO-CFTC avançou à agência Lusa que reuniu, esta segunda-feira, com a Caixa Geral de Depósitos (CGD), mas notou a ausência de propostas por parte da instituição, garantindo ainda que os trabalhadores pretendem prolongar a greve.

“Fomos convocados esta manhã para negociar com Jorge Duro, diretor de recursos humanos da CGD, mas não houve negociações. Espanta-me como é que a Caixa tem dinheiro para um alto cargo vir a Paris, sem apresentar propostas”, referiu à Lusa Cristina Semblano.

De acordo com a sindicalista, durante a reunião, o responsável da CGD disse que a instituição demonstrou “abertura ao diálogo” e lamentou que a greve dos trabalhadores não tivesse sido cancelada.

“Disse-nos que o objetivo era marcar uma nova reunião de negociações, mas nem uma data ficou acordada. A única coisa que nos [adiantou] é que havia uma carta, assinada pela administração, não sei por quem ao certo, em que é expressa a vontade de salvaguardar a sucursal de França do plano de reestruturação, acordado com Bruxelas e com o Governo português”, explicou.

Porém, Cristina Semblano diz que a FO-CFTC “não pode aceitar tal coisa”, uma vez que não tem garantias sobre a “validade” do documento em causa.

“O plano não se modifica a partir da vaga vontade expressa numa carta. Teria que haver uma renegociação entre a Caixa e o Governo”, notou.

Cristina Semblano garante ainda que os trabalhadores “não vão aceitar as promessas” da Caixa e adianta que, esta terça-feira, será votada, em assembleia, a continuidade da greve.

“Se não nos podem dar garantias então vamos ver como salvaguardar os postos de trabalho […] e dar um serviço condigno à nossa clientela, pois temos situações em que as agências estão a funcionar de forma arcaica, nas quais os disfuncionamentos são constantes. Queremos a verdade, não queremos dirigentes que venham para aqui brincar connosco”, vincou.

Apesar de não avançar com uma percentagem, devido ao número de trabalhadores de baixa ou de férias, a responsável garantiu que esta segunda-feira, no quinto dia de paralisação, constam nas folhas de greve 141 assinaturas.

“Já no sábado tivemos 18 agências fechadas e outras estavam a trabalhar em sub-efetivo, com os trabalhadores expostos a riscos operacionais […], como falta de condições de segurança”, concluiu.

Na passada sexta-feira, a CGD disse à Lusa que esteve presente na sucursal francesa para se reunir com os sindicatos representativos dos trabalhadores, conforme havia sido acordado a 16 de abril.

De acordo com a CGD, estiveram presentes na reunião “a CGT e a CFDT, não tendo comparecido aqueles que aparentam estar na origem da convocação desta greve”.

Por sua vez, a intersindical FO-CFTC disse, na altura, que não foi recebida pela administração da CGD.

Cristina Semblano disse à Lusa que cerca de 100 pessoas na sede da CGD em Paris ameaçaram invadir a reunião e que “fizeram tanto barulho que a reunião foi interrompida”.

“Eram cerca de 100 pessoas à porta a tentar entrar porque a administração da Caixa recusou receber a intersindical maioritária, ou seja, a presidente da Comissão de Trabalhadores e o sindicato maioritário. As pessoas estavam prontas aqui a invadir a sala onde decorriam reuniões com sindicatos minoritários e fizeram tanto barulho que a reunião foi interrompida”, declarou.

Em 12 de abril, foi votada uma “greve ilimitada”, um movimento apoiado pelos sindicatos Force Ouvrière e CFTC, que querem respostas sobre o futuro da CGD em França, onde há mais de 500 trabalhadores.

A intersindical teme a alienação da sucursal francesa, quer ter acesso ao plano de reestruturação do banco e denuncia “atrasos nos aumentos salariais por mérito e carreiras desde 2016”, assim como “disfuncionamentos da sucursal com impactos na saúde física e mental dos trabalhadores”.

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