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Sindicato denuncia despedimento de 18 trabalhadores no Novo Banco

O CEO do Novo Banco, Antonio Ramalho. (TIAGO PETINGA/LUSA)
O CEO do Novo Banco, Antonio Ramalho. (TIAGO PETINGA/LUSA)

O secretário-geral da CGTP vai reunir com António Ramalho, CEO do Novo Banco.

O Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Financeira (SINTAF) denunciou hoje o despedimento de 18 trabalhadores do Novo Banco, da secção de recuperação de crédito, e lamentou o encerramento definitivo desta unidade.

Na segunda-feira, “o grupo Novo Banco encerrou uma secção da empresa GNB – Recuperação de Crédito”, refere o SINTAF em comunicado, lembrando que “18 trabalhadores da Direção de Recuperação de Crédito de Retalho no núcleo de Recuperação Interna da empresa, quando se apresentaram ao trabalho foram confrontados com o encerramento definitivo ‘lock-out’ da mesma”.

Nesse dia, os trabalhadores foram informados que a “atividade futura foi transferida”, pelo que “desconhecem o seu destino” e foram chamados para “revogarem os contratos de trabalho”, decisão que os “apanhou de surpresa”, uma vez que “nunca foram informados do encerramento da atividade desenvolvida na secção”, lê-se na nota informativa.

Um grupo de trabalhadores e dirigentes do SINTAF concentraram-se junto do edifício do Novo Banco, na rua Castilho, em Lisboa, onde também esteve o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, para denunciarem a situação qualificada de “atitude criminosa” por parte da administração da instituição financeira.

O líder da CGTP disse à agência Lusa ver esta situação com “grande perplexidade” porque considera tratar-se de “uma secção ou área fundamental para a recuperação de créditos” e porque “os trabalhadores foram confrontados com um facto consumado de impossibilidade de trabalhar e ao mesmo tempo tiveram conhecimento de que o trabalho foi desviado para uma outra empresa”.

E prosseguiu: “É inadmissível que o Novo Banco, que está a ser financiado com os impostos dos portugueses, esteja a aproveitar esse dinheiro promover este tipo de despedimentos e acima de tudo a pôr em causa a própria recuperação dos créditos”.

Já a coordenadora do SINTAF, Rute Santos, acusou o Novo Banco de estar a fazer “um despedimento encapotado, pois devido ao número de pessoas envolvidas no processo de rescisão imposta teria que ter o tramite do despedimento coletivo”, mas, que “para fugir a esta figura eles propuseram a rescisão individual [mútuo acordo], através da revogação do contrato”.

A sindicalista alegou que esta posição “não é aceite pelos trabalhadores”, lembrando que “nos últimos anos já houve vários casos similares” e o que a administração do Novo Banco e do grupo Novo Banco está a fazer “são despedimentos coletivos por pacotes, para não dizer que está a despedir 500, 600 ou 1.000 está a fazer por lotes para fugir também à atenção da opinião pública”.

Rute Santos explicou à Lusa que a instituição financeira “não tem reunido, falado e negociado, com os sindicatos” e que “não cumpre a lei, tratando os representantes dos trabalhadores sem respeito”, além de que “o procedimento de informação em consulta não foi comprido”.

“E não se percebe porque é que estes trabalhadores, que na prática fazem trabalho bancário, pois lidam com o cliente para reformular créditos não pagos, e isso faz parte da atividade bancária, não devem ser reintegrados [no banco]”, acrescentou.

Arménio Carlos disse ainda à Lusa que “esta medida deve se travada” e que foi agendada para quinta-feira uma reunião com ele e com o presidente do Novo Banco, António Ramalho, para discutir o assunto com o sindicato e tentar encontrar “a tal solução que é adequada”.

Isto é, neste caso concreto, que “os trabalhadores possam continuar a fazer aquilo que sabem e fazem bem, que é a recuperação de créditos, para assim também ajudarem o Novo Banco a sair da situação difícil em que se encontra”, frisou o dirigente sindical.

“Também não faz sentido transferir-se de um momento para o outro este serviço para uma outra empresa para se verem livres destes trabalhadores”, acusou Arménio Carlos.

Questionada pela Lusa acerca desta situação, fonte do banco disse que o que se está a passar “não é mais que uma proposta de rescisão, que está a ser discutida com os trabalhadores”.

O SITAF já requereu à Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) uma reunião entre o SINTAF e a GNB – Recuperação de Crédito, e vai pedir audiências aos grupos parlamentares e solicitar a intervenção “imediata” da ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho, além de ter emitido um pré-aviso de greve para 10 de julho em defesa dos postos de trabalho desta empresa e de todo o grupo Novo Banco.

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