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Sindicato dos Quadros e Técnicos Bancários abstém-se sobre remunerações do BCP

(João Manuel Ribeiro/Global Imagens)
(João Manuel Ribeiro/Global Imagens)

Sindicatos criticam "estagnação" dos salários no BCP

O Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) vai abster-se no ponto da assembleia-geral do BCP que aborda a distribuição de dividendos e a devolução dos cortes nos salários, disse fonte da estrutura à Lusa.

De acordo com a fonte do SNQTB, “num claro sinal de discórdia”, o sindicato “irá abster-se no ponto dois da ordem de trabalhos [quarta-feira], relativo à aplicação de resultados para o exercício de 2018”, que para além de conter a distribuição de dividendos aos acionistas propõe a devolução faseada dos cortes nos salários dos trabalhadores entre 2014 e 2017.

O SNQTB “não pode aceitar a proposta, nos termos em que está formulada, de uma devolução gradual (a três anos) das remunerações cativadas entre 2014 e 2017”, disse a fonte.

“O SNQTB lamenta que a proposta da administração do BCP não tenha sido devidamente consensualizada e amadurecida com os sindicatos e, portanto, em sinal do seu desconforto, lamenta não poder votar favoravelmente o ponto dois”, indicou a mesma fonte.

Esta fonte do SNQTB declarou à Lusa que “o entendimento alcançado na altura entre o BCP e os sindicatos em lado algum falava numa devolução gradual e muito menos em três anos”, e entende que “existem hoje condições para uma evolução muito mais célere no tempo”.

No entanto, “o SNQTB não tem uma posição contrária à justa recompensa dos acionistas pelo capital investido”.

Em 09 de maio, na conferência de imprensa de apresentação de resultados do primeiro trimestre, o presidente executivo do banco, Miguel Maya, disse que a proposta de compensação aos trabalhadores é “mais generosa” do que a proposta de dividendos aos acionistas.

“Na proposta de dividendo aos acionistas versus a proposta de compensação aos trabalhadores, é mais generosa a compensação aos trabalhadores”, disse Maya, justificando que aos acionistas a administração está a propor a distribuição de cerca de 30 milhões de euros, o que é um dividendo correspondente a cerca de 10% do resultado de 2018 (uma vez que foram de cerca de 300 milhões de euros), enquanto para os trabalhadores está a propor 12,6 milhões de euros.

O valor a distribuir aos funcionários é equivalente a um terço do valor total a devolver e, se for aprovado, será pago com os salários de junho. Será a comissão executiva a decidir o valor concreto a pagar a cada funcionário.

Esta reunião magna que acontecerá na quarta-feira, que terá lugar no Tagus Park, em Oeiras, será ainda marcada por uma manifestação de bancários, organizada por Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), Sindicato Independente da Banca (SIB) e Sindicato dos Bancários do Norte (SBN).

Em causa está aquilo que dizem ser a “estagnação” dos salários no BCP e o impasse nas negociações relativas à revisão do Acordo Coletivo de Trabalho do banco.

Entretanto, também anunciaram que marcarão presença o Sindicato dos Bancários do Centro (SBC) e o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI).

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