Novo Banco

Sindicatos sem margem para travar despedimentos coletivos

Trabalhadores admitem propor cortes nos contratos a prazo e nos salários para evitar saída de mais 500 pessoas

Os sindicatos e a comissão de trabalhadores do Novo Banco estão disponíveis para negociar alternativas ao despedimento coletivo que deverá atingir 500 trabalhadores. As reformas antecipadas, rescisões por mútuo acordo, diminuição de trabalhadores a prazo e até cortes salariais são as alternativas que pretendem apresentar à administração de Eduardo Stock da Cunha. No entanto, ao que o Dinheiro Vivo apurou, a margem para evitar um despedimento coletivo é praticamente inexistente.

O Novo Banco não rejeita outros mecanismos, até porque no comunicado que emitiu esta semana não determina a priori a ferramenta a utilizar, mas o despedimento coletivo é a ferramenta que reúne maior adesão no seio do banco, uma vez que é rápida e tem por base critérios definidos, como a avaliação dos trabalhadores. O número de pessoas que poderá vir a abranger é que pode ser mitigado por outras fórmulas. As ferramentas começam a ser decididas na próxima semana quando a administração do Banco se reunir novamente com a Comissão de Trabalhadores.

O plano de reestruturação do Novo Banco, no âmbito das imposições europeias, obriga a um corte na despesa de 150 milhões de euros. Ao longo do ano passado, os custos já caíram cerca de 12% ajudados, em parte, pela adesão de 500 trabalhadores a programas de reforma antecipada. No entanto, estão ainda em cheque os postos de trabalho de 500 trabalhadores, tanto na atividade em Portugal como no estrangeiro.

“Não vemos o despedimento coletivo como um tema fechado. É um mecanismo com um forte estigma e que tentaremos evitar”, afirmou ao Dinheiro Vivo, Rui Riso do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBI). O mesmo repete a Comissão de Trabalhadores do Novo Banco que assume que as reformas antecipadas e cessações já pedidas podem incentivar-se, evitando um cenário mais drástico. Já o Sindicato dos quadros técnicos bancários promete “propor à administração do banco um conjunto de medidas alternativas que evitem custos sociais e humanos”.

Em 2013, o Millenium BCP evitou um cenário de despedimento coletivo através de um corte salarial proposto pelos trabalhadores e que, neste caso, os funcionários também admitem considerar. No entanto, fonte ligada ao processo recorda que “no Millenium, os salários eram globalmente mais elevados”. Isto não quer dizer que os do Novo Banco estejam muito abaixo do patamar dos 1000 euros brutos mensais que naquela altura levaram um corte entre 3% e 11%, mas a mesma fonte lembra que “neste caso, a base é inferior, sendo compensada por componentes variáveis que não permitem um corte salarial direto”, como no banco concorrente. Há ainda outro entrave a este mecanismo, uma vez que “os cortes teriam de ser permanentes, caso contrário não teriam o efeito estrutural pretendido”, admite outra fonte ao Dinheiro Vivo, lembrando que essa escolha vai recair sempre na administração do Novo Banco.

Na Comissão de Trabalhadores “todas as soluções que evitem despedimentos estão a ser consideradas”. Mas há ainda duas esperanças que não deixam de referir: uma diminuição da despesa a cortar (150 milhões) e a hipótese de nacionalização do banco, como esta semana chegou a ser levantadas pelos partidos políticos. Caso contrário, dizem, uma redução no número de trabalhadores será uma diminuição da operação do banco que pode ter de fechar balcões e limitar a atividade.

Contactada pelo Dinheiro Vivo, fonte oficial do Novo Banco remete quaisquer esclarecimentos para o comunicado emitido esta semana.

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