Futuro da Banca

Sistema Financeiro: O fracasso da troika e a falta de memória digna de filme

O deputado socialista João Galamba . Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA
O deputado socialista João Galamba . Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA

Debate parlamentar para debater "Sistema Financeiro" foi convocado pelo Partido Socialista. Oposição exige respostas sobre CGD

As trocas de argumentos iniciais no debate de hoje sobre o “Sistema Financeiro” ficaram marcadas pela troca de acusações entre socialistas e sociais-democratas, com João Galamba a abrir o debate lembrando que a banca portuguesa tinha sido, supostamente, analisada até ao último detalhe nos anos do ajustamento mas que, assim que este acabou, os bancos entraram em colapso.

O debate de hoje está dedicado ao sistema financeiro e a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos é um dos pratos principais do menu. Contudo, também o Banif e o Novo Banco já foram puxados para a troca de argumentos – Ontem, o Banco de Portugal anunciou ter recebido quatro propostas pelo Novo Banco.

No discurso inicial, Galamba lembrou que a passagem da troika por Portugal ficou marcada por “inspeções transversais e especializadas”, com avaliações a “processos de concessão de credito e das provisões para imparidades”. “Em 2014, o ajustamento ia de vento em popa, os bancos estavam sólidos e já podiam voltar a desempenhar a sua função de garantir o fluxo de crédito à economia”, lembrou o deputado socialista. Mas assim que Portugal saiu do programa, “os problemas começaram a surgir em catadupa… BES, Banif… e o que o governo dizia era que só havia preocupações com a CGD”.

“O programa de ajustamento, em vez de solidificar setor, foi uma forma de tentar encher um balde furado. Entendia-se que caso se atirasse um volume suficiente de dinheiro o problema se resolvia sozinho, e não se resolveu e até se agravou. E avisos não faltaram: os relatórios de avaliação da troika avisam sucessivamente para isto, alertando para os problemas não resolvidos ao nível da qualidade do crédito malparado”, apontou Galamba.

O deputado do PS após fazer um resumo dos últimos eventos do setor bancário, aproveitou para lançar farpas ao anterior Governo, citando o ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que disse em abril último que “o malparado não era uma urgência. Aparentemente para o anterior governo nada era uma urgência”.

A recapitalização da CGD também tem levantado polémica, com a comissão de inquérito ao banco a tomar posse na terça-feira e o pedido de auditoria externa avançado pelo PSD e pelo CDS a ser chumbado pelo presidente da Assembleia da República. Já o Bloco de Esquerda formalizou o pedido para auditoria forense.

E foi precisamente pela CGD que o PSD respondeu a Galamba, com João Morgado a comparar a postura de João Galamba ao filme “Memento”, acusando o socialista de ter problemas de memória. “A ouvi-lo falar lembrei-me de um filme que vi há 15 anos: nesse filme, o protagonista é alguém que tem uma incapacidade, só retém na memoria os últimos 15 mins, o que gera situações insólitas. Há homem que foge do protagonista mas este nem se lembra porquê… Sabe porquê? É que sem memória não sabemos o que estamos a fazer. É por essa falta de memória que João Galamba só fala dos últimos três anos”, atirou Morgado.

O deputado do PSD foi então ainda mais atrás no tempo, recuperando o argumento que “foi o PS que empurrou o país para a troika em 2011”, culpando o pedido de ajuda externa “ao modelo de economia socialista, cuja única produção era baseada em dívida e mais dívida. E foi isso que arrasou o sistema financeiro e foi isso com que o governo PSD/CDS teve que lidar”.

João Morgado voltou de seguida ao presente: “Qual é afinal a necessidade de capital da CGD? Cinco mil milhões? Quatro mil milhões? São mais? São menos? Porque estão a pedir tanto?”

Também Mariana Mortágua do Bloco de Esquerda se socorreu de uma metáfora cinematográfica sobre a falta de memória da direita, referindo-se ao filme “Dory”, onde a protagonista (um peixe) perde constantemente a memória.

Na resposta, João Galamba manteve o mesmo registo e fez referência ao filme “O Sexto Sentido” e a famosa frase “vejo mortos” (I see dead people), dizendo que o deputado do PSD vê “socialismo em todo o lado”.

A CGD deverá precisar de até cinco mil milhões de euros e a nova equipa de gestão, liderada por António Domingues, tomará posse em julho. Ontem, o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa promulgou o fim dos tetos salariais nos gestores da Caixa mas deixou vários avisos ao Governo.

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