Solução para o BESA pode ser capital garantido pelo Estado angolano

Ricardo Salgado
Ricardo Salgado

A resolução dos problemas do BES Angola pode passar por uma solução semelhante à que foi encontrada para capitalizar os bancos portugueses. Ou seja, Angola criar uma linha de capital contingente (CoCo"s) que permita ao BESA resolver os problemas de solvência. Evitando-se assim a nacionalização e consequente diluição das participações dos restantes acionistas - BES (55,7%), Portmill (24%, general Kopelipa), Grupo Geni (18,99%, general Leopoldino do Nascimento) e Álvaro Sobrinho, ex-CEO do BESA (1,3%).

No mês passado, foi reconhecida uma perda potencial equivalente a
80% do crédito concedido pelo BESA. São 5,7 mil milhões de
dólares, apesar de o Estado angolano ter emitido uma garantia de 5
mil milhões – cujos termos exatos não são conhecidos – que, se
executada, permitirá tapar grande parte do buraco financeiro. A
maioria desse financiamento veio do BES. Ou seja, o maior problema
seria o BESA ficar insolvente.

As conversações têm sido no sentido de evitar uma intervenção
tão profunda como uma nacionalização – que obrigaria os
contribuintes angolanos a pagar e constituiria uma perda definitiva
para o BES. Além disso, apesar do risco, estar em Angola é
importante para o BES, quer política quer financeiramente. A ideia é
nivelar as melhores práticas e dar auxílio ao sistema financeiro
quando precisar. O que implicaria uma supervisão mais atenta, mas
com intervenção limitada do Estado no banco, do ponto de vista da
gestão.

É nessa solução que se estará a trabalhar para criar um modelo
semelhante ao português – experiência que correu muito bem, com os
CoCo”s a serem pagos antecipadamente -, permitindo evitar o
contágio imediato de um default do BESA, sem perda do controlo e
dando aos acionistas tempo para se reorganizarem. Só no fim do prazo
negociado – que poderia ser de três ou quatro anos -, se não fosse
tudo pago, Angola converteria a dívida em ações, ficando com o
banco.

Converter o BESA num banco de fomento é uma hipótese mais
remota. Angola poderia fazê-lo de raiz, contando até com o fundo
soberano criado por José Eduardo dos Santos em 2008, com uma dotação
de 5 mil milhões de dólares.

Quando houver solução para o BESA, resta um ponto: a KPMG, que
auditou as contas nestes anos, terá de esclarecer o seu papel no
descalabro do banco. Mas isso será numa fase posterior. “Primeiro
trata-se dos feridos, depois enterra-se os mortos”, diz fonte
próxima do processo.

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