Banco de Portugal

Supervisor europeu convoca BCP e Novo Banco para explicar metodologias

António Ramalho (Novo Banco), Luís Pereira Coutinho (Banco Postal), Nuno Amado (BCP) e António Vieira Monteiro (Santander Totta). Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA
António Ramalho (Novo Banco), Luís Pereira Coutinho (Banco Postal), Nuno Amado (BCP) e António Vieira Monteiro (Santander Totta). Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA

Os dois bancos terão agora até 11 de abril para entregar ao Banco de Portugal os documentos e os dados mais relevantes das suas metodologias internas

A Autoridade Bancária Europeia (ABE) anunciou na passada sexta-feira que BCP e Novo Banco serão as instituições com sede em Portugal que terão que apresentar obrigatoriamente até abril as metodologias internas que usam para apurar e divulgar os riscos associados ao crédito e fundos próprios.

Segundo comunicado da ABE, este ano 126 instituições bancárias europeias serão chamadas para cumprir o “2017 supervisory benchmarking exercise“, que analisa e avalia os métodos através dos quais os bancos apuram internamente os dados que depois são reportados aos supervisores locais, no caso o Banco de Portugal. Este exercício visa essencialmente analisar os “mecanismos internos usados para calcular os montantes de exposição ponderados pelo risco”.

Os dois bancos presentes em Portugal convocados na última sexta-feira terão agora até 11 de abril para entregar ao Banco de Portugal os documentos e os dados mais relevantes associados às suas metodologias internas, adianta ainda o comunicado desta autoridade.

Contactado pelo Dinheiro Vivo, o Banco de Portugal explicou que “a nova edição do EU supervisory benchmarking exercise incide sobre as instituições autorizadas a utilizar metodologias internas para apuramento de fundos próprios (metodologias IRB)”.

Esta metodologia IRB, de internal rating-based approach, foi estabelecida pelo regime prudencial bancário acordado no Comité de Basileia para a supervisão do sistema financeiro. O IRB permite que os bancos usem parâmetros próprios para apurar as suas necessidades de capital em termos de cumprimento de rácios prudenciais.

Nessa mesma altura ficou também estabelecido que nem todos os bancos podem recorrer às suas próprias metodologias para estes fins, devendo ser autorizados para tal pelos supervisores locais e desde que cumpram algumas condições e regras de transparência.

Quanto ao facto de nenhuma outra instituição bancária presente em Portugal surgir na lista dos 126 bancos convocados pela ABE, o BdP explicou ao DV que tal se deve ao facto de muitos destes serem já filiais de outras instituições com sede na UE – o grupo Santander responde pelo Santander Totta, por exemplo.

“Tendo presente que as instituições em Portugal que são filiais de outras instituições de crédito com sede na UE participam no exercício através da respetiva empresa-mãe (…), as únicas instituições compreendidas na amostra da EBA são o BCP e o Novo Banco”, avançou fonte oficial do supervisor.

O BCP e o Novo Banco são assim “as instituições autorizadas a utilizar metodologias IRB para efeitos de apuramento de requisitos de fundos próprios para risco de crédito”, detalhou ainda o banco central.

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