Superbanco mau

Teixeira dos Santos defende modelo italiano para malparado

Teixeira dos Santos, ex-ministro Finanças
Teixeira dos Santos, ex-ministro Finanças

Criação de um "banco mau" para aliviar a banca do incumprimento dos créditos pode ser mais vantajoso para os contribuintes, defende o ex-ministro.

Teixeira dos Santos, ex-ministro das Finanças socialista, concorda com a solução que o primeiro-ministro António Costa tem vindo a defender para resolver o problema do crédito malparado na banca portuguesa.

Para o ex-ministro, o modelo italiano de criação de um “banco mau” que absorva esses ativos problemáticos pode ser mais vantajoso para os contribuintes do que a intervenção do fundo de resolução.

Em declarações ao Económico, Teixeira dos Santos sublinhou ser “incontornável” Portugal tomar como referência o fundo criado esta segunda-feira pelos italianos.

Atlante é o nome do fundo italiano que irá carregar o peso do crédito malparado dos bancos, com um capital entre cinco e seis mil milhões de euros, que poderá ser multiplicado através de emissões de dívida. As empresas financeiras e os três maiores bancos italianos (UniCredit, Intesa Sanpaolo e UBI Banca) serão os principais contribuintes do capital inicial, sendo o fundo gerido por uma empresa privada independente (Quaestrio Sgr).

Além de fortalecer a generalidade dos bancos, será acessível também aos mais fragilizados, permitindo-lhes livrar-se dos créditos de risco dos seus balanços e evitar necessidade de resgate. Pode, ainda, participar em aumentos de capital de bancos pequenos que necessitem recapitalizar-se, atuando como investidor de último recurso.

Enquanto a solução do primeiro-ministro Matteo Renzi foi aplaudida por uns, outros já apontaram que está longe de ser suficiente, visto que o malparado italiano ascenderá a 360 mil milhões de euros. Além disso, a Comissão Europeia ainda não aprovou o plano italiano e a Direção-Geral da Concorrência não poderá suspeitar de quaisquer auxílios estatais ou veta-lo-á.

Em Portugal, estima-se que o malparado ande na ordem dos 18 mil milhões de euros, mas os bancos privados teriam de ter capacidade para investir num fundo semelhante, além de não poderem receber auxílios do Estado. Neste momento, quer o BCP, quer a CGD, ainda estão a pagar o empréstimo estatal que receberam à chegada da ‘troika’.

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