Testes de Stress

Testes ditam reforço de 1,5 mil milhões do Novo Banco

Instituição deverá ter nove meses para colmatar insuficiências detetadas pelo BCE

O Novo Banco deverá precisar de uma injeção de capital num montante de 1,5 mil milhões de euros. O valor exato do reforço, que será sempre inferior a dois mil milhões de euros, será hoje conhecido com a divulgação dos testes de stress feitos pelo Banco Central Europeu (BCE). A instituição financeira liderada por Stock da Cunha deverá ter até nove meses para colmatar as insuficiências detetadas nas provas de resistência.

“É razoável afirmar – e será muito provável – que o Novo Banco apresente necessidades de capital resultantes dos testes de stress. O valor não será superior a dois mil milhões de euros, mas acima de mil milhões”, afirmou uma fonte financeira ao Dinheiro Vivo. Outras fontes contactadas também não têm dúvidas de que as necessidades de capital ficarão abaixo do patamar dos dois mil milhões, preferindo apontar para um valor mais central: 1,5 mil milhões.

Tendo em conta que as provas do BCE testam a capacidade de resistência a crises económicas e financeiras, para não chumbar no exame o Novo Banco deverá apresentar um rácio de capital mínimo de 8% no cenário--base e de 5,5% no cenário adverso, que inclui choques como a queda da economia e o aumento do desemprego. Isto significa que caso a instituição financeira falhe no cenário mais adverso, terá nove meses para suprir as carências de capital identificadas. Se for no cenário-base dispõe de seis meses.

A forma como irá fazê-lo não está ainda definida, estando várias hipóteses em cima da mesa, no âmbito do plano de reestruturação que o banco está a ultimar. Mas a venda de ativos, como o imobiliário, e de operações internacionais, bem como a redução de postos de trabalho ou o encerramento de agências poderão, muito provavelmente, revelar-se insuficientes. Neste sentido, o fundo de resolução poderá ser, mais uma vez, chamado a injetar capital no Novo Banco, uma hipótese que foi recentemente e veementemente recusada pelos banqueiros concorrentes.

Depois dos 4900 milhões de euros que o fundo de resolução colocou no Novo Banco, injetar mais dinheiro na instituição presidida por Stock da Cunha implicaria engordar a fatura para os bancos, que financiam este instrumento – apesar de não terem poder de decisão. Será o Banco de Portugal, que gere o fundo de resolução, acionista único do Novo Banco, que decidirá o caminho que será tomado.

A decisão final não será alheia ao segundo processo de venda do Novo Banco, que o Banco de Portugal pretende retomar muito em breve. Isto porque as dúvidas quanto às necessidades de recapitalização do Novo Banco terão sido um dos obstáculos à venda da entidade. Em setembro passado, o regulador liderado por Carlos Costa decidiu suspender o processo de alienação por terem falhado as negociações com os três interessados: Fosun, Apollo e Anbang.

Nos testes de stress realizados no ano passado, o BCP foi a única instituição portuguesa a não passar nas provas de resistência do BCE – no cenário mais adverso -, enquanto o BPI e a Caixa Geral de Depósitos passaram com notas positivas. Devido à medida de resolução aplicada em agosto, o Novo Banco acabou por ficar de fora.

Além da instituição de Stock da Cunha, a autoridade monetária presidida por Mario Draghi irá igualmente revelar hoje os resultados dos testes de stress feitos a mais oito instituições financeiras europeias.

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