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Trabalhadores da CGD França acusam administração de simular negociações

Paris 24/05/2018. Protesto contra o encerramento da caixa geral de depósitos em França
(Ricardo Graça / Global Imagens)
Paris 24/05/2018. Protesto contra o encerramento da caixa geral de depósitos em França (Ricardo Graça / Global Imagens)

A redução da operação da CGD fora de Portugal foi acordada em 2017 com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público.

A comissão de negociação dos trabalhadores da sucursal de França da Caixa Geral de Depósitos (CGD) acusou esta quarta-feira a administração do banco público de fazer “simulacros de negociações” ao não revelar os planos nem apresentar garantias aos funcionários.

“Estivemos dois meses com simulacros de negociações”, disse a porta-voz da comissão de negociação dos trabalhadores da sucursal de França da CGD, Cristina Semblano, numa audiência na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa.

Os trabalhadores da Caixa em França “estão em luta há dois meses contra a alienação prevista no plano de reestruturação”, frisou a responsável perante os deputados, criticando o processo “opaco” conduzido pela administração do banco, que se recusa a entregar o plano aos trabalhadores.

“Nenhum segredo de negócios se pode sobrepor ao direito dos trabalhadores de conhecerem um plano que vai impactar as suas vidas e a das suas famílias”, afirmou Cristina Semblano, que também é membro da intersindical francesa FO-CFTC.

“Esta recusa de entrega do plano e a ausência de um diálogo social desde há seis anos está na origem do desencadeamento desta greve sem que negociações sérias e conduzidas de boa fé tenham sido iniciadas ao fim de dois meses de conflito”, sublinhou a responsável.

Para Cristina Semblano, a atitude da administração do banco liderado por Paulo Macedo confirma a “convicção dos trabalhadores de que a solução é efetivamente alienar, não obstante as afirmações em sentido contrário”.

A redução da operação da CGD fora de Portugal (nomeadamente Espanha, França, África do Sul e Brasil) foi acordada em 2017 com a Comissão Europeia como contrapartida da recapitalização do banco público.

Em 10 de maio, Paulo Macedo afirmou querer manter a operação da CGD em França e adiantou que está a negociar isso com as autoridades, apesar de ter sido também acordada a sua venda, mas acrescentou que isso só acontecerá se a “operação for sustentável, rentável e solidária” com os esforços feitos pelo banco.

A redução da operação da CGD acordada com a Comissão Europeia passa também pelo fecho de 180 balcões em Portugal até 2020, cerca de 70 agências encerram ainda este ano, entre as quais a maioria já este mês, de acordo com comunicado do banco público.

Em 2017, fecharam 67 balcões, pelo que, com o encerramento destas 70 agências, a CGD terá ainda de fechar mais 43 balcões nos próximos dois anos.

Os trabalhadores afetos à intersindical FO-CFTC e à comissão de negociação eleita pelos trabalhadores estão em greve “contra a alienação” da sucursal francesa há dez semanas e para sexta-feira convocaram nova manifestação junto à Embaixada de Portugal em França.

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