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Transferências bancárias imediatas sim, mas com custos

António Ramalho (Novo Banco), Luís Pereira Coutinho (Banco Postal), Nuno Amado (BCP) e António Vieira Monteiro (Santander Totta). Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA
António Ramalho (Novo Banco), Luís Pereira Coutinho (Banco Postal), Nuno Amado (BCP) e António Vieira Monteiro (Santander Totta). Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA

Já é possível em Portugal fazer transferências e pagamentos em euros em poucos segundos. Mas bancos vão cobrar comissões.

Ainda não há muitos detalhes sobre os preçários dos bancos portugueses que disponibilizam o novo serviço de transferências imediatas de dinheiro. Mas não vai ser grátis a solução que promete revolucionar as transferências e pagamentos em euros anunciada ontem pelo Banco de Portugal.

No BCP, por exemplo, o preço que o banco vai cobrar pelo serviço ainda não é público. Mas o banco promete que o valor “será competitivo” face à concorrência. No Santander Totta, até ao final do ano, as transferências instantâneas serão gratuitas para alguns clientes – com conta Advance ou conta Mundo 123 –, mas para os restantes clientes “terão um custo igual a uma transferência SEPA normal”, ou seja, 1,25 euros. A Caixa Geral de Depósitos ainda não tem o serviço disponível.

O Banco de Portugal passou a permitir desde ontem a execução em Portugal de pagamentos e transferências de dinheiro imediatas em euros, com o valor limite de 15 mil euros por transação, num passo que vem revolucionar o setor financeiro e os pagamentos por parte dos consumidores e empresas. As transferências demoram no máximo até 10 segundos.
O serviço só está disponível para transações dentro do país e não para outros países europeus porque não está feita ainda a ligação da plataforma dos bancos portugueses com as de outros países. Mas o objetivo é que a solução permita as transferências e pagamentos imediatos no espaço de 34 países europeus. Segundo apurou o Dinheiro Vivo, as transações para países europeus só será possível no segundo semestre de 2019.
As transferências são feitas entre contas bancárias dos utilizadores e não entre cartões, garantindo a interoperabilidade entre bancos dos diferentes países europeus que aderiram ao serviço, segundo o Banco de Portugal.

Dos principais bancos a operar em Portugal, a Caixa Geral de Depósitos é o que ainda não tem o serviço disponível. Outros, apesar de terem o serviço, não o estão a oferecer em todas as suas plataformas.
Na prática, este tipo de transferência pode ser usada no pagamento de serviços em substituição do habitual pagamento com cartão de débito ou crédito ou na transferência de dinheiro para familiares ou amigos, por exemplo. No caso das empresas, poderão adotar esta solução nomeadamente para o pagamento de salários ou pagamentos a fornecedores. Para fazer as transferências ou pagamentos imediatos, o cliente bancário pode usar o serviço de banca online ou a aplicação móvel bancária do seu banco.

A nova solução de pagamentos foi desenvolvida para os bancos pela SIBS, que já oferecia o serviço MB Way, que permite pagamentos imediatos entre cartões bancários no território nacional. A solução assenta numa plataforma que garante segurança anti-fraude e segue as regras da Área Única de Pagamentos em Euros (SEPA-Single Euro Payments Area).
A adesão ao serviço por parte dos bancos é opcional pelo que nem todos os bancos poderão disponibilizar a solução aos seus clientes. O preço para a prestação do serviço também varia consoante os bancos.

No limite, se o mercado não tiver a solução de pagamentos e transferências imediatos não estiver disponível a nível europeu até 2020, os reguladores poderão vir a atuar para forçar a generalização da solução.
O desenvolvimento na Europa do serviço de pagamentos imediatos vem entrar num terreno que tem sido ocupado por novos operadores digitais na área financeira e pelas moedas digitais, como a bitcoin.

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