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Três dos maiores bancos têm lucros de 710 milhões até junho

ANTÓNIO COTRIM/LUSA
ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O crescimento das receitas ainda é moderado e beneficia de cortes nos custos e na subida das comissões.

De prejuízos para lucros. Três dos maiores bancos em Portugal já divulgaram as suas contas do primeiro semestre deste ano: Caixa Geral de Depósitos, Millennium bcp e BPI somam lucros de 710,7 milhões de euros na primeira metade do ano; há um ano, tanto o BPI como a CGD tinham registado prejuízos. O lucro mais expressivo é o do BPI, que beneficiou de 121 milhões de euros relativos à venda das participações na Viacer, do BPI Gestão de Ativos e do BPI GIF.

Nos três bancos, as receitas crescem, embora de forma moderada, a beneficiar de cortes nos custos e do aumento de comissões. Na qualidade dos ativos, observa-se também uma melhoria, com a descida do nível de crédito malparado. Enquanto isso, cresce a concessão de novos empréstimos.

Encolher as redes de balcões no país e emagrecer os quadros de pessoal tem sido uma das estratégias que os bancos têm adotado nos últimos anos para conseguir melhorar as suas contas.

A crise e as baixas taxas de juro afetaram as receitas do setor que se viu a mãos com elevados níveis de crédito malparado.

“As receitas continuam a crescer a um ritmo bastante moderado e o BCP até teve uma quebra na margem financeira em Portugal”, disse Albino Oliveira, analista da Patris Corretora. Na CGD, apesar de a margem financeira consolidada ter descido 2%, devido a efeitos cambiais negativos em Angola e Macau, na atividade doméstica cresceu 5,8% em termos homólogos. “Os custos continuam a ser uma peça central nos resultados. Só o BCP já está a começar a reverter algumas das ações que realizaram nessa área”, adiantou.

Banca mais magra

Depois de anos difíceis, os bancos concentram as atenções no futuro e no crescimento sustentável.
Uma nova fase já com estruturas mais magras e a piscar o olho aos serviços digitais. Os três bancos que já divulgaram contas semestrais perderam 1338 funcionários e fecharam 99 balcões no último ano, segundo os dados agora divulgados.

Comissões engordam

Enquanto os custos encolhem, a procura pela rentabilidade levou a que os bancos engordassem as comissões em 40 milhões de euros nos últimos 12 meses. Esta semana foi divulgado um estudo que aponta que os portugueses pagam em média o dobro de comissões bancárias face aos vizinhos espanhóis. No caso da CGD, o aumento de comissões, bem como o fecho de balcões e o corte no número de funcionários constam do plano estratégico negociado com Bruxelas.

O resultado da estratégia adotada pelos bancos é uma melhoria no indicador cost-to-income que, no caso do banco público, se situou em junho em 50,8% face a 51,4% em igual período do ano passado.
Em termos de qualidade dos ativos, os três bancos reportaram descidas de 4600 milhões de euros no crédito malparado (non-performing exposure). A maior descida foi no BCP, de quase 2100 milhões de euros, seguido do BPI, com uma queda de 1400 milhões.

Com os resultados a melhorar e o crédito a subir, a somar a rácios de capital e de liquidez sólidos, o tom dos gestores dos bancos é de otimismo. “Podemos olhar tranquilos para o futuro porque a equipa executiva está a atingir os objetivos”, afirmou Pablo Forero, presidente executivo do banco na conferência de apresentação dos resultados, na terça-feira.

Já o BCP anunciou o plano estratégico até 2021 com metas de crescimento em vários vetores. Miguel Maya, novo presidente executivo do banco que tem como maior acionista a chinesa Fosun, quer superar os seis milhões de clientes até 2021. Uma das apostas de Maya é nos serviços digitais, nomeadamente no mobile.

A aposta no digital é transversal nos três bancos e a Caixa já conta com dois milhões de clientes ativos no digital, o que corresponde a 46% de quota do mercado nacional de internet banking.
A luta pela angariação de clientes na banca promete. Os bancos têm somado aumentos de depósitos de clientes face a dezembro e a concessão de novo crédito e a aposta no digital potencia a captação de novos depositantes. Isto numa altura em que, do ponto de vista acionista, tudo aponta para uma estabilização. O espanhol CaixaBank vai retirar o BPI de bolsa até ao final deste ano. No BCP, Miguel Maya afirmou que a angolana “Sonangol está para ficar” no banco.

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