Resultados da banca

Três maiores bancos com lucros fortes. Novo Banco alarga prejuízos

Ilustração: André Carrilho
Ilustração: André Carrilho

Prejuízo do Novo Banco e queda do lucro do BPI contrastam com os resultados recorde do BCP e do Santander e com o forte crescimento do lucro da CGD nos nove meses deste ano.

Não há mal que sempre dure nem bem que perdure. Que o digam os três principais bancos em Portugal: enquanto o Millennium bcp e o Santander, os dois maiores bancos privados, registam em 2019 lucros recorde, na Caixa Geral de Depósitos (CGD), a venda de ativos e a subida das comissões ajudam ao forte aumento dos lucros. Já no BPI, o balanço até setembro é de uma queda dos resultados, visto que em 2018 o banco tinha registado ganhos extraordinários. Já com o Novo Banco, o cenário está longe da bonança. O banco soma prejuízos e acumula injeções de capital pelo Fundo de Resolução.

No total, nos primeiros nove meses, os cinco maiores bancos do país lucraram 983,1 milhões de euros, o que corresponde a 3,6 milhões de euros de lucro diário.

A venda de ativos ajudou aos resultados. O menor peso do crédito malparado, devido à venda, reestruturação ou recuperação de créditos – ajuda os bancos a terem contas mais saudáveis. O aumento de comissões líquidas é patente nos três maiores bancos do país. Resultados dos bancos

A CGD foi o banco que registou o maior crescimento no resultado líquido e, ontem, Paulo Macedo admitia mesmo um dividendo para o estado superior a 250 milhões de euros. O banco estatal teve um aumento de 74% no lucro até setembro e foi o que registou o maior resultado do setor. Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa, anunciou ontem que o banco fechou setembro com um lucro de 640,9 milhões de euros. São mais 272 milhões de euros do que em igual período do ano passado. O lucro do banco estatal inclui um impacto positivo extraordinário de 159 milhões de euros relativo à reversão parcial de imparidades relacionadas com os processos de venda do BCG Espanha e do Mercantile na África do Sul. O BCG foi vendido ao Abanca em outubro por 384 milhões de euros. O Mercantile foi vendido ao Capitek Bank por 215 milhões de euros, tendo a venda sido concluída em novembro.

No caso do Santander, prepara-se para ter em 2019 o seu melhor resultado anual de sempre em Portugal. O banco registou um lucro de 390,6 milhões de euros até setembro. Pedro Castro e Almeida, presidente executivo do banco, destacou na apresentação dos resultados, que este valor foi alcançado, apesar da conjuntura de baixas taxas de juro que pesa nas receitas do setor na Europa.

O BCP também regista um recorde. O presidente executivo do banco, Miguel Maya, anunciou na quinta-feira “o melhor lucro em nove meses dos últimos 12 anos”. O BCP fechou setembro com um resultado líquido de 270,3 milhões de euros.

No caso do Banco BPI, o facto de ter registado ganhos extraordinários no ano passado, levou a que o lucro neste ano registe uma descida. Ainda assim, lucrou 253,6 milhões de euros até setembro.

Quanto ao herdeiro do Banco Espírito Santo (BES), o Novo Banco, anunciou ontem, de surpresa, os seus resultados. O prejuízo aumentou 46% para 572,3 milhões de euros. No primeiro semestre, o banco liderado por António Ramalho teve prejuízos de 400 milhões de euros.

Santander, BCP e CGD somam lucros chorudos em 2019. As comissões líquidas cresceram nos três bancos desde o início do ano.

Futuro menos negativo

Apesar das queixas sobre as baixas taxas de juro, os custos com o Fundo de Resolução e a contribuição extraordinária do setor, alguns dos bancos conseguiram melhorar a sua rendibilidade, como a CGD.

Os bancos também deram mais crédito, enquanto os spreads continuaram a descer, atraindo mais clientes. Mas as carteiras de crédito até recuaram, em alguns casos, como na CGD. Os bancos continuam a desfazer-se de carteiras de crédito malparado. A par das reestruturações de créditos, curas e recuperações de prestações em dívida, o malparado no setor tem vindo a cair a pique. E bancos como a CGD, o BCP e o Novo Banco têm ainda malparado para vender em breve. Só o BCP cortou em 1900 milhões de euros a sua carteira de crédito malparado na atividade em Portugal.

A saída de trabalhadores e o encerramento de agências também se mantêm, embora com menor expressão do que em anos anteriores.

Em termos de perspetivas, a rede que o Banco Central Europeu está a dar à economia traz algum descanso à banca. O crescimento económico abranda, mas o cenário atual não é de recessão imediata. Medidas como a aplicação de comissões aos depósitos de grandes institucionais, sobretudo do setor financeiro, deverão ajudar os bancos a melhorar resultados e a navegarem até à próxima tempestade.

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