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Um balcão fechado por dia desde 2011

Balcão bancário. Fotografia: Paulo Spranger
Balcão bancário. Fotografia: Paulo Spranger

Regiões do Porto e de Lisboa responderam por metade dos encerramentos de agências bancárias desde 2011. Cortes vão continuar.

Desde o final de 2011, ano em que o setor atingiu a dimensão máxima, e junho de 2016, os bancos em Portugal fecharam 1620 balcões no país, segundo a Associação Portuguesa de Bancos (APB). Este número dá uma média de quase um fecho por cada um dos 1644 dias que passaram entre 2011 e junho de 2016.

No Porto, a redução foi de 28,6%, com o desaparecimento de 281 agências, para 702. Mas os clientes de Lisboa foram os mais afetados, com o número de balcões a cair de 1503 para 1023 balcões, um corte de 480, ou menos 31,94%, desde 2011. Mais nenhum distrito registou uma redução superior a 30%.

Somando os cortes em Lisboa e Porto, conclui-se que estas foram as regiões onde os bancos mais fecharam: dos 1620 balcões que desapareceram, 761, ou 47%, estavam em Lisboa e no Porto. Do restante país, só Faro se aproxima em termos relativos destes números, tendo encerrado 28,7% dos balcões no distrito, que passou de 352 agências para 251.

Mais fechos e despedimentos

Do lado oposto está Bragança, que perdeu 9,9% dos balcões com que contava em 2011. Contudo, e como sintoma de que a dieta na Banca está por terminar, desde junho já foram anunciados mais fechos, e um deles afetou Bragança.

Na última semana, a Standard & Poor’s voltou a colocar o dedo na ferida: as ameaças e riscos que limitam o setor bancário nacional continuam presentes, pelo que “os bancos portugueses ainda têm de reduzir as suas grandes infraestruturas operacionais”.

Entre 2011 e junho de 2016, os bancos também reduziram os quadros. Saíram mais dez mil trabalhadores. A rigidez de alguns custos e a dificuldade em lidar com ativos problemáticos limitam a velocidade da redução das despesas, obrigando os bancos a atacar custos mais imediatos: os recursos humanos.

Mas, desde junho, quando a APB compilou os dados para o setor, já foram conhecidos mais planos de cortes: o Popular anunciou a saída de mais 295 trabalhadores e o fecho de 47 agências, saindo de Bragança e Guarda. Na CGD, e até 2020, deverão sair 2200 empregados e fechar 150 a 200 agências. Além destes casos, realce para o BPI: a OPA do CaixaBank pode levar à saída de 900 trabalhadores e ao fecho de 50 balcões em 2017. Há também que contar com o BCP ou o Novo Banco, bancos que, por razões distintas, ainda se encontram em reestruturação que, conforme a evolução do negócio, podem obrigar a mais cortes.

Além da evolução do negócio, também o avanço da Internet tem sido uma das forças motrizes das reestruturações na Banca, tanto pelo aumento da concorrência, como por ser uma forma de o banco servir à distância, reduzindo a dependência de balcões. Mas a concorrência é o que assusta mais: “Nos últimos anos, assistiu-se a um desenvolvimento significativo das operações através da net”, refere o BCP, no prospeto relativo ao aumento de capital. “Estes fatores contribuíram para um aumento da concorrência”, o que poderá levar as instituições a “adotar práticas comerciais agressivas, de forma a ganharem quota de mercado”.

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