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Violas Ferreira e a OPA ao BPI: “Fomos muito maltratados”

Foto: Estela Silva/Lusa
Foto: Estela Silva/Lusa

Violas Financial vai vender 99,97% das ações que detém e encaixar cerca de 44,2 milhões. "Não há alternativa, fomos empurrados", diz administrador

O Grupo Violas, maior acionista português do BPI, vai vender quase todas as ações que detém do banco na oferta pública de aquisição (OPA) lançada pelo CaixaBank, cujo prazo de aceitação termina hoje às 15h30. “Não há alternativa, fomos empurrados para fora”, explica Tiago Violas Ferreira ao Dinheiro Vivo.

Segundo detalhou o mesmo responsável ao DV, do bolo total de 39 milhões de ações do BPI detidas pela Violas Ferreira Financial (2,681% do total), o grupo deverá ficar apenas com uma participação residual, “de aproximadamente dez mil ações”, significando assim que irá vender 99,97% dos títulos.

Considerando o preço colocado em cima da mesa pelo CaixaBank (1,134 euros por título), a Violas Financial deverá encaixar cerca de 44,28 milhões de euros com a venda. Além da Violas, também o grupo que representa um conjunto de investidores minoritários do BPI considera que muitos destes acabarão por ceder, mesmo que retendo algumas ações do banco.

A decisão de vender na OPA tomada pelo Grupo Violas foi avançada hoje pelo “Jornal de Negócios“, com o administrador a confirmar posteriormente a intenção ao Dinheiro Vivo. Tiago Violas Ferreira já em setembro passado considerava “quase inevitável” optar pela venda.

Já sobre o porquê de ter optado pela venda numa OPA em que foi um dos acionistas que mais contestou o preço, Violas Ferreira explicou ao DV que todo o processo que envolveu a oferta deixou pesadas marcas, sobretudo para os acionistas com participações mais reduzidas que o CaixaBank (donos de 45,2% do BPI) e a Santoro (18,5%), acusados de terem decidido o futuro do BPI em negociações paralelas.

“Não há alternativa à venda, fomos empurrados para fora. Não há qualquer alternativa para quem quiser ficar, a ação do BPI vai ficar com uma liquidez muito reduzida e tecnicamente não valerá a pena”, explicou Tiago Violas Ferreira ao DV sobre a opção de vender na OPA. “Fomos muito maltratados ao longo do processo”, referiu ainda.

Em causa está sobretudo a decisão do BPI de entregar o controlo do Banco Fomento de Angola (BFA), o maior alimentador dos lucros do BPI, a Isabel dos Santos, acionista do banco através da Santoro e do BFA através da Unitel. Este negócio, fechado por 28 milhões de euros, foi validado em assembleia-geral do banco presidido por Fernando Ulrich.

A referida AG decorreu em meados de dezembro último e já na altura Tiago Violas Ferreira criticou duramente o negócio de Fernando Ulrich, rotulando-o de “ruinoso”, na medida em que o BPI “está a vender o controlo do seu maior ativo por 28 milhões de euros, quando ele vale 600 milhões”.

Face às críticas que foram emergindo, a administração de Fernando Ulrich veio a público justificar a opção pela venda, lembrando que o BPI estava em risco de sofrer “iniciativas” dos reguladores com “gravíssimas consequências” para as ações caso não aprovasse a venda, alerta equipa de Ulrich.

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