BCE

Zona euro. Malparado em 130 bancos atinge o bilião de euros

Banco Central Europeu. REUTERS/Ralph Orlowski
Banco Central Europeu. REUTERS/Ralph Orlowski

"Dimensão do 'stock' de NPL no euro" levanta "preocupações face à estabilidade da região" dada estreita ligação entre banca, economia e finanças

No final de 2015, os 130 maiores bancos da zona euro acumulavam um bilião de euros em créditos não produtivos (CNP ou NPL, em inglês), revela o Banco Central Europeu no relatório de estabilidade hoje divulgado. “Apesar do valor, os rácios de malparado estão distribuídos de forma muito distinta pelos países”, detalha o supervisor europeu.

De acordo com o relatório, esta “dimensão do ‘stock’ de NPL na zona euro” levanta preocupações relativamente à estabilidade da região, sobretudo por causa dos desafios que coloca à rentabilidade da banca e dada a estreita interligação entre a banca e o comportamento da economia e das finanças dos países do euro, realça o BCE.

Um outro fator de preocupação é que este stock de malparado “também pode ter impacto na transmissão da política monetária, já que os recursos dos bancos estão presos a créditos ineficientes e a riscos orçamentais”. A política monetária do BCE, que procura libertar mais recursos para a economia através dos bancos, acaba por ser travada pelas necessidades destes.

Fonte: Relatório Estabilidade, BCE

Fonte: Relatório Estabilidade, BCE

Segundo o supervisor, mais de 60% destes NPL estão relacionados com “várias formas de empréstimos empresariais”, ainda que existam vários tipos de ativos afetados pela deterioração da qualidade do crédito.

O governo português anunciou ontem que irá olhar para o problema do malparado na banca portuguesa depois de resolvida a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, no próximo ano, com os banqueiros a manifestarem-se preocupados com a hipótese desta solução passar pela venda destes créditos a qualquer preço. Esta é uma preocupação partilhada pelo BCE.

“Há várias respostas possíveis para atacar a dimensão elevada de NPL, muitas complementares entre si e dentro da mesma jurisdição”, salienta o supervisor europeu sobre os caminhos a tomar para libertar os balanços dos bancos destes ativos.

Ler também: BCE. Justiça portuguesa é o maior obstáculo para resolver malparado

“O trabalho interno dos bancos na gestão destes ativos é um dos extremos no espetro das opções mas devem considerar sempre as várias opções possíveis. Os bancos podem precisar de empresas especialistas para serem mais eficazes neste aspeto. A venda direta dos ativos não produtivos a um investidor externo é o outro extremo, e ainda que possa ser a solução mais rápida da perspetiva do banco, depende dos níveis de provisões face aos preços de mercado e a existência de liquidez no mercado de NPL.”

Mas entre estes dois extremos, diz o supervisor, “há várias opções possíveis”, como o avanço para esquemas de proteção de ativos, securitização, securitização sintética ou a criação de companhias específicas para a gestão destes ativos”, detalha.

De acordo com o BCE, e apesar dos stocks de NPL estarem a crescer de 2008, o mercado secundário para estes ativos continua sem grande atividade, ainda que vários estudos refiram que o apetite existe.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Emmanuel Macron, Pedro Sanchez, Angela Merkel, Donald Tusk, Jair Bolsonaro e Mauricio no G20 de Osaka, Japão, 29 de junho de 2019. Fotografia: REUTERS/Jorge Silva

Vírus da guerra comercial já contamina acordo entre Europa e Mercosul

Fotografia: Armando Babani/ EPA.

Sindicato do pessoal de voo lamenta “não atuação do Governo” na Ryanair

O presidente da China, Xi Jinping, fez uma visita de Estado a Portugal no final de 2018. Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens

Angola e China arrastam exportações portuguesas. Alemanha e Itália ainda não

Outros conteúdos GMG
Zona euro. Malparado em 130 bancos atinge o bilião de euros