Petróleo

Petróleo sobe para os 80 dólares pela primeira vez desde 2014

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Queda dos stocks nos EUA e receios sobre o impacto das sanções sobre o Irão motivam a subida do preço do petróleo.

O preço do barril de petróleo escalou para os 80 dólares em Londres pela primeira vez desde 2014 devido à queda dos stocks de crude nos Estados Unidos e aos receios do impacto das novas sanções sobre o Irão, o quinto maior produtor de petróleo.

Às 13H00, o preço dos futuros do barril de brent seguiam a ganhar 0,92% para 80,01 dólares. Os preços do petróleo valorizaram quase 30% desde fevereiro e 80% desde junho de 2017, segundo dados da Thomson Reuters.

“Ontem os stocks saíram abaixo do esperado levando o preço do mesmo a subir e a CNBC já veio dizer que a petrolífera Total quer sair do Irão. E muitas mais empresas podem seguir o caminho da empresa francesa de modo a ficar ‘de bem’ com os EUA. Se isso acontecer a oferta de petróleo pode diminuir levando ao escalar do preço do barril de petróleo”, afirma Carla Maia Santos, analista da corretora XTB numa análise diária.

A Agência Internacional de Energia afirmou ontem que a pressão que existia sobre os preços do petróleo desapareceu, dada a forte procura que se regista e os cortes na produção anunciados por outros produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). E adiantou, comentando a decisão dos EUA, que “há uma incerteza compreensível acerca do seu potencial impacto nas exportações de petróleo do Irão”.

O presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu sair do acordo internacional com o Irão e reinstalar sanções ao país. O acordo nuclear do Irão que estava em vigor, denominado ‘Joint Comprehensive Plan of Action’, foi assinado a 14 de julho de 2015 entre o Irão, a China, França, Rússia, Reino Unido, EUA, Alemanha e União Europeia. O acordo visava travar o desenvolvimento do programa nuclear iraniano em troca do levantamento das sanções em vigor e apoios por parte dos restantes países do acordo.

A União Europeia e diversos países que assinaram o acordo têm levado a cabo reuniões para evitar a aplicação de sanções aos Irão e manter vivo o que foi acordado.

Israel avançou recentemente com informações de que o Irão não tinha cumprido o acordo nuclear.

E Trump já tinha feito críticas à política dos EUA em relação ao Irão, incluindo sobre o facto de a administração liderada por Barack Obama ter pago ao Irão 1,7 mil milhões de dólares em dinheiro, uma operação que chegou a ser alvo de investigação pelo Congresso norte-americano.

O acordo, apesar de ser em torno do tema do programa nuclear iraniano, trouxe benefícios para empresas, nomeadamente dos países que assinaram o acordo. O ministro francês da Economia lembrou, na semana passada, que a decisão dos EUA era um erro não apenas para a segurança internacional mas do ponto de vista económico. Bruno Le Maire sublinhou, citado pela AFP, que a saída do acordo dá às empresas europeias que têm atualmente negócios no Irão apenas seis meses para reduzir os seus investimentos no país, ou então enfrentar sanções. Entre as empresas francesas com negócios no Irão estão a Total, a Sanofi, a Renault e a Peugeot.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Mário Centeno com Pierre Moscovici, comissário europeu da Economia. Fotografia: REUTERS/François Lenoir

Bruxelas quer despesa a travar a fundo no orçamento de 2019

Proteção de dados chega amanhã e já levou ao fecho de startup portuguesa

Fotografia: Igor Martins / Global Imagens

Valor médio das pensões da CGA subiu 77 euros em 2017

Outros conteúdos GMG
Petróleo sobe para os 80 dólares pela primeira vez desde 2014