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Rogoff. Mercados perderam confiança na política dos bancos centrais

Professor e antigo economista-chefe do FMI tem dúvidas sobre até onde pode chegar o programa de quantitative easing.

Os mercados estão a perder confiança nas capacidades do banco central em fazer crescer a inflação, e num momento em que começam a ser claros os limites sobre quanto consegue alcançar o programa de quantitative easing, defende Kenneth Rogoff, professor de economia de Harvard e ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os bancos centrais, sobretudo o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão, têm avançado com largas injeções de capital na economia através de um programa de compra de ativos com o objetivo de aumentar os preços.

Kenneth Rogoff, professor de economia de Harvard. Fotografia: D.R.

Kenneth Rogoff, professor de economia de Harvard. Fotografia: D.R.

Contudo, os 1,7 biliões de euros que o BCE quer injetar na economia não conseguiram, até agora aumentar a inflação para as metas próximas do banco central, que quer uma inflação perto de 2%. O último valor, referente a agosto, apontava para um valor de 0,2% na zona euro.

“Nem o BCE nem o BoJ têm sido capazes de chegar perto das expectativas de inflação e estas estão a descer nos Estados Unidos”, afirmou Rogoff à Blommberg TV. “Acho que há uma quebra de confiança na capacidade dos bancos centrais conseguirem, no longo prazo, impulsionar a inflação”.

Na última reunião do BCE, Mario Draghi anunciou que as taxas de juro se manteriam e não deu novos sinais sobre o reforço do programa de compra de ativos, desiludindo o mercado. Draghi admitiu, contudo, que os comités do BCE estavam a estudar alternativas para reforçar o programa de compra de ativos caso deixe de haver dívida suficiente para o quantitative easing do BCE. O presidente do banco central anunciou ainda uma revisão em baixa ligeira do crescimento e perspetivas de inflação relativamente em linha com as anunciadas em junho.

Os sinais de alerta para a zona euro incluem o Brexit, o crédito malparado em Itália e a crise política em Espanha, que continua sem conseguir formar governo. Os bancos já se queixaram do efeito negativo das baixas taxas de juro na sua rentabilidade, com é o caso do Deutsche Bank, pedindo uma mudança de rumo.

No Japão, o banco central está a avançar com uma revisão do programa de política monetária e a reunião marcada para 20 e 21 de setembro vai ser chave para compreender a estratégia do país, que anunciou uma injeção de mais de 240 mil milhões de euros na economia.

“Acredito que há limites no que o quantitative easing consegue”, diz Rogoff. “Os governos têm os seus próprios bancos centrais. E se o banco central compra dívida do governo será como se o governo tivesse emitido dívida de curto prazo”, defendeu.

A Reserva Federal norte-americana, pelo contrário, já referiu que as probabilidades de uma subida da taxa de juro são cada vez mais fortes e a expectativa é que isso ocorra antes do final deste ano. Mas este movimento ainda não será na próxima semana.

“A certa altura vão ter de fazer o que é suposto fazerem”, afirmou o economista, referindo-se à FED. “Acho que estão a preparar-se para uma inflação mais elevada e por isso, quando tiverem, digamos, uma inflação de 3% ou 3,5%, podem subir as taxas de juro de curto prazo”.

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