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Acionistas da Cimpor reunidos para decidir retirada de bolsa

Foto: Goncalo Fernandes Santos/ Global Imagens
Foto: Goncalo Fernandes Santos/ Global Imagens

Os acionistas reúnem-se esta manhã em Lisboa numa assembleia-geral extraordinária

A Cimpor começa esta quarta-feira, 21 de junho, a escrever uma nova página da sua história. A concretizarem-se os objetivos do acionista principal, a brasileira Camargo Corrêa, através da InterCement, a cimenteira dá hoje o pontapé de saída para a retirada de bolsa.

Os acionistas reúnem-se esta manhã em Lisboa numa assembleia-geral extraordinária que tem como único ponto da ordem de trabalhos a perda da qualidade de sociedade aberta, condição essencial para a empresa deixar de ser cotada.

A intenção do grupo foi anunciada a 26 de maio em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Foram vários os argumentos usados pela InterCement para justificar a decisão.

A sociedade aponta a “elevada concentração do capital social da Cimpor no accionista maioritário subscritor desta proposta e a consequente reduzida dispersão das suas acções pelo público em geral, com apenas 4,9% de ‘free float’ e níveis de transacção em mercado pouco significativos, não fazendo as acções já parte da composição dos principais índices bolsistas”, como um dos motivos.

A capitalização bolsista da cimenteira ronda atualmente os 230,7 milhões de euros.

A “não existência de cobertura ativa de equity research pelas instituições financeiras que possa assistir ao mercado das ações Cimpor” e o “aparente afastamento dos acionistas minoritários com a Sociedade evidenciado pela ausência dos mesmos nas assembleias gerais” são outras das razões apontadas.

Por fim a InterCement sublinha que não existem no momento “condições para prosseguir, no curto prazo, com o aumento de capital com recurso a subscrição pública projetado anteriormente”.

A InterCement explicita, porém, que caso se venha a verificar “uma alteração positiva das circunstâncias que hoje afetam as economias dos países onde a empresa opera”, a Cimpor poderá “oportunamente voltar a abrir o seu capital”, o que segundo as regras do mercado só poderá acontecer um ano após a saída de bolsa.

Garantindo que a saída de bolsa “não pretende afetar as atividades da companhia em Portugal” ou nos outros países onde está presente, a InterCement explica aos acionistas que não aprovem a medida, que a lei será cumprida, ou seja, os títulos destes acionistas serão adquiridos por um valor equivalente ao preço médio da ação nos últimos seis meses.

Entre janeiro e junho, as ações da Cimpor oscilaram entre os 0,24 e os 0,34 euros, atingindo um pico de 0,41 euros em fevereiro. Nos dias que se seguiram ao anúncio da assembleia-geral, os títulos da cimenteira dispararam cerca de 18% em bolsa.

Nas contas do primeiro trimestre apresentadas em maio, a Cimpor registou um resultado líquido negativo de 34,4 milhões de euros, uma redução face aos 40,7 milhões apresentados pela empresa no mesmo período do ano anterior.

O volume de negócios da cimenteira manteve-se estável nos 452,9 milhões de euros, um desempenho justificado pela empresa com “o novo ciclo de crescimento na Argentina, a excelência operacional no Paraguai, a recuperação do mercado interno português e a dinâmica operacional da África do Sul, combinados com um aumento do preço médio em moeda local de 10% e a favorável evolução do real brasileiro”.

A cimenteira destacou ainda a recuperação da procura em Portugal, que deu origem a um “aumento de 24% nas vendas de cimento e clínquer no mercado local”. Já os custos operacionais recuaram 1,4%.

Cimpor sai, Loma Negra entra

Ao mesmo tempo que a Cimpor prepara a saída de bolsa, a InterCement prepara a entrada no mercado da sua subsidiária na Argentina, a Loma Negra.

A intenção foi anunciada a 7 de junho, sendo que os acionistas vão apreciar a proposta no próximo dia 3 de julho em Buenos Aires.

“No âmbito das iniciativas de fortalecimento da sua estrutura de capital, a Cimpor informa que o Conselho de Administração da sua subsidiária Loma Negra, Argentina, convocou uma Assembleia Geral Extraordinária, de cuja agenda de trabalhos consta a promoção de um conjunto diligências que permitam dotar a Loma Negra dos requisitos necessários para promover uma oferta de capital nos mercados de capitais local e internacionais”, lê-se no comunicado enviado ao regulador do mercado de capitais.

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