Brexit

Acordo chumbado e moção de censura à vista não travam subida das bolsas

REUTERS/Kai Pfaffenbach
REUTERS/Kai Pfaffenbach

As principais praças europeias abriram em alta na sessão desta quarta-feira, à excepção de Londres. Futuro de Theresa May vai a votos mais logo.

Nas primeiras horas depois da derrota de Theresa May, é a cautela que domina os mercados. As principais bolsas europeias abriram em alta ligeira esta quarta-feira, com os investidores ainda à espera do desfecho da longa-metragem em se transformou o Brexit.

Ao início da manhã só a bolsa de Londres sobressaía entre as restantes, por ser a única pintada de vermelho, com um recuo ligeiro de 0,09%. A libra ganha terreno face ao dólar e perde ligeiramente (0,02%) em relação ao euro.

A bolsa de Lisboa também começou a sessão em alta ligeira, tendo entretanto invertido a tendência de ganhos. O PSI20 segue a perder 0,11%, penalizado pela queda das cotadas do grupo Sonae, que caem mais de 1%. No retalho também a Jerónimo Martins segue em queda, a perder 0,77% para 11,67 euros, corrigindo dos ganhos expressivos da sessão de ontem, na qual fechou a disparar 9%. A travar perdas mais expressivas na bolsa portuguesa estão o grupo EDP e o BCP.

Segundo os analistas ouvidos pela Reuters, o desfecho da votação de ontem ao acordo do Brexit foi positivo para os mercados, que antecipam agora um Brexit mais suave e mais tardio. “A questão agora é saber em que termos é que a UE vai concordar com a extensão do prazo”, lembra Neil Dwane, responsável da Allianz Global Investors.

A moção de censura à primeira-ministra Theresa May, agendada para o final da tarde desta quarta-feira, pode aumentar a já elevada dose de incerteza em torno da saída do Reino Unido da União Europeia. Ainda assim, os analistas não acreditam que a moção de censura venha a resultar na demissão de Theresa May.

Entretanto já esta manhã no Parlamento Europeu, Michel Barnier avisou que o risco de um Brexit desordenado “nunca foi tão elevado”. O líder das negociações da União Europeia para o Brexit afirmou em Estrasburgo que a UE ainda quer evitar o pior cenário, mas sublinhou que face às circunstâncias, vão ser acelerados os esforços para que a UE esteja preparada para um Brexit “duro”. Vão ser tomadas “medidas de urgência para fazer face às eventuais consequências”, disse Barnier em Estrasburgo. O responsável estará esta quinta-feira em Lisboa, a convite do Presidente da República, para participar no Conselho de Estado.

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