Análise

OPEP. Analistas destacam aumento da procura mas avisam sobre incerteza

Acordo de Paris, que prevê uma economia neutra em carbono, pode afetar a procura de petróleo no longo prazo.

O preço e a procura de petróleo vai aumentar no médio prazo mas as expectativas a longo prazo já apontam para uma redução, especialmente se forem cumpridas as metas de descarbonização do Acordo de Paris.

Estas são as principais conclusões do relatório World Oil Outlook, divulgado esta terça-feira pela Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP). Os analistas contactados pelo Dinheiro Vivo destacam os sinais positivos do aumento da procura e do preço mas avisam que os países produtores de petróleo se mostram preocupados com a complexidade e incerteza do mercado.

Marisa Cabrita, da Orey Financial, lembra que “na atualização de 2016 do World Oil Outlook, a OPEP destaca a complexidade crescente do mercado petrolífero, e que torna o Outlook de longo prazo mais incerto”.

“Não obstante, no médio prazo, a procura por petróleo deverá aumentar, principalmente nos países em desenvolvimento”, acrescenta a especialista.

A analista explica que “os esforços para a redução de emissões, ganhos de eficiência nos consumos dos transportes e indústria, substituição por energias verdes ou alterações dos padrões de transporte e consumo deverão contribuir para o abrandamento da procura de petróleo no longo prazo”, até porque os países têm de chegar à neutralidade de carbono em 2050, cumprindo as regras do Acordo de Paris.

Uma visão partilhada por Eduardo Silva, gestor da XTB, que refere que “olhando para 2040 a previsão é de que o petróleo continue a representar pelo menos metade da energia utilizada nos transportes. Contudo, a OPEP admite que os esforços para acelerar a eficiência energética e uma maior penetração de veículos alimentados por outras fontes de energia deverá diminuir significativamente a procura do ouro negro no longo prazo e dependendo da capacidade individual de cada país respeitar o acordo de Paris, a velocidade a que o petróleo perde interesse poderá aumentar”, diz o analista.

Leia mais: Como as empresas se estão a preparar para uma economia neutra em carbono

Do lado da oferta os preços baixos vão manter-se e, apesar de uma ligeira revisão em alta para os próximos anos, em 2021 o preço estimado foi revisto em baixa, de 80 dólares para 65 dólares.

“Embora espere um mercado desafiante, onde a procura deverá diminuir e a oferta aumentar nos próximos 25 anos, a organização mostra-se mais otimista no que se refere ao reforço da sua cota de mercado quando comparado com o relatório de 2015”, acrescenta.

Já Albino Oliveira, da Patris Investimento, também destaca a revisão em alta da procura até 2020, embora se verifique uma revisão em baixa nas previsões para a evolução do preço.

A revisão em alta da procura deve-se essencialmente a um maior consumo fruto de uma cotação mais baixa do petróleo, e não tanto reflexo de um ritmo de crescimento mais forte da economia global.

“A revisão em alta da procura representa uma notícia positiva”, começa por destacar o analista. “Contudo, não terá provavelmente impacto no mercado. O mercado irá provavelmente permanecer atento à reunião da OPEP de 30 de novembro, de modo a confirmar o acordo informal entre os países que foi anunciado”, naquilo que será o evento mais relevante para a evolução da cotação de petróleo até ao final deste ano.

Eduardo Silva, da XTB, concorda com a importância da reunião marcada para 30 de novembro e onde se poderá concretizar o pré-acordo para o congelamento da produção a que os países produtores de petróleo já chegaram.

“Se não chegarem a acordo o preço do crude pode mesmo voltar para a zona dos 40 dólares. A dificuldade em determinar as percentagens de corte na produção dos diversos membros e principalmente quem ficará de fora está a deixar os investidores nervosos”, diz.

A expectativa da OPEP é um aumento da procura mas frisa que o relatório refere “2016 como um ano de transição para um período menos volátil, em que destacam a quota de mercado que recuperaram ao deixar cair o preço do petróleo desde 2014, para afastar ‘players’ cujo preço de extração a estes níveis é pouco lucrativa, ou mesmo impossível de acompanhar”.

“Os membros preveem ainda um processo de reajuste em que focam a desaceleração do ritmo a que o petróleo se acumula com a baixa procura, refletindo um aumento dos inventários”, acrescenta o especialista.

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