Investimento

As dez regras de ouro para fazer crescer o seu dinheiro

50 euros

Para se ter sucesso nos investimentos é preciso paciência, disciplina e trabalho. Mas há regras que ajudam a meter as poupanças a render.

Fazer um orçamento e uma auditoria às despesas

O primeiro passo para conseguir fazer crescer o dinheiro é fazer uma auditoria às contas. É necessário saber quanto se ganha e quanto se gasta. Nas despesas deve identificar-se quais as necessárias e as supérfluas. Feita essa espécie de auditoria estão criadas as condições para fazer o orçamento familiar. No portal Todos Contam, do Plano Nacional de Formação Financeira, é possível fazer uma simulação de um orçamento.

“É aconselhável planear o orçamento de forma a obter uma determinada poupança, por exemplo, de 10% dos rendimentos. Ou seja, de um rendimento mensal de 1000 euros põem-se de lado 100 euros por mês”, segundo o Todos Contam. Mas quanto maior o objetivo de poupança mais rápido e mais facilmente se pode colocar o dinheiro a crescer.

Os especialistas do Plano Nacional de Formação Financeira referem que “o orçamento pode fazer-se em base mensal, mas perspetivando os rendimentos, despesas e objetivos de poupança em base, pelo menos, anual”. Além de uma ferramenta no portal Todos Contam, existem apps que ajudam a controlar o orçamento e a registar as despesas.

Leia também: 5 apps gratuitas e úteis para controlar os gastos

Reduzir gastos desnecessários

Pouco a pouco pode ir-se construindo um bom pé-de-meia. Mesmo com rendimentos menos abastados pode ser possível ir cortando em alguns gastos. Um exemplo utilizado pelos especialistas é o de cortar em um café por dia e em duas refeições fora por mês. Assumindo um preço de 0,60 euros pelo café e de 6 euros no restaurante, consegue-se poupar 30 euros por mês, 360 euros por ano.

E quanto mais cedo se começar melhor. Segundo cálculos do Todos Contam poupar um euro por dia a partir dos 25 anos e investir esse dinheiro numa aplicação com rendimento anual de 5% chegar-se-á aos 65 anos com 44.657 euros. De referir, no entanto, que com as atuais taxas de juro é difícil encontrar produtos com aquele rendimento.

Poupar um euro por dia a partir dos 25 anos e investir esse dinheiro numa aplicação com rendimento anual de 5% chegar-se-á aos 65 anos com 44.657 euros.

Outra forma de ajudar a fazer crescer o dinheiro é aderir a ferramentas de poupança automáticas que destinam todos os meses um determinado valor do rendimento para uma aplicação de poupança.

Cortar em créditos caros

Caso existam créditos com juros elevados, amortizar parte dessas dívidas é das primeiras coisas a fazer para esticar o orçamento e se conseguir reservar mais dinheiro para poupanças. “Nenhuma estratégia de investimento dá tantos resultados ou tem tão pouco risco do que eliminar empréstimos com juros elevados”, defende o supervisor financeiro americano, a SEC, na página dedicada à literacia financeira.

Nenhuma estratégia de investimento dá tantos resultados ou tem tão pouco risco do que eliminar empréstimos com juros elevados.

“Quase nenhum investimento dá retornos equiparados aos juros em cartões de crédito. É por isso que o melhor é eliminar essas dívidas antes de começar a investir”, aconselha a SEC.

Definir o perfil de investidor ou aforrador

Já com orçamentos equilibrados é a altura de começar a ver as poupanças a crescer. Estas podem aumentar (ou perderem-se) de forma mais ou menos acentuada, conforme o risco que se esteja disposto a correr. Entre os perfis mais comuns estão o conservador, o equilibrado ou o agressivo.

O conservador é “um investidor que procura produtos com a garantia do capital investido e rendibilidades que espera pelo menos compatíveis com as taxas de juro de curto prazo. Este investidor é avesso aos principais riscos: de capital, rendimento e liquidez. Assume a preferência por investimentos de capital garantido, com prazo de vencimento mais curto, aos quais pode estar associado uma menor rendibilidade”, segundo o portal Todos Contam.

O equilibrado “procura produtos com a garantia do capital investido, mas está disposto a assumir um prazo mais longo para essa aplicação de forma a poder acomodar uma eventual oscilação adversa do rendimento”. Já o agressivo assume mais riscos e está disposto a aceitar perdas do capital investido em troco da probabilidade de retornos mais elevados.

Identificado o perfil de risco é altura de decidir se o dinheiro fica apenas em produtos de poupança ou se existe apetite para o colocar em risco em produtos de investimento. “Quando se investe, tem-se uma maior probabilidade de perder dinheiro do que quando se poupa. Contrariamente aos depósitos bancários [cobertos pelo fundo de garantia de depósitos], o dinheiro que se investe em instrumentos financeiros, fundos de investimento e outras aplicações similares pode levar a perdas do montante investido”, refere a SEC.

Traçar um plano de investimento

Identificado o perfil de investidor é altura de traçar o plano de investimento. Para o fazer é necessário responder às questões qual o montante que se quer investir e durante quanto tempo. Pretende-se apenas ter um pé-de-meia guardado num depósito ou procurar outro tipo de produtos? O objetivo é poupar para a reforma ou para um prazo mais curto? O plano é fazer crescer a carteira ou receber algum rendimento de forma periódica?

As respostas dependem do perfil de risco e dos objetivos de cada investidor e são essenciais para construir uma carteira de ativos e saber como vai dividir o seu dinheiro entre as diferentes classes de ativos. Para ajudar a definir a tática pode fazer sentido solicitar apoio de profissionais de investimento.

Pesquisar potenciais investimentos

Definida a estratégia é altura de fazer prospeção sobre os investimentos financeiros e os produtos que se podem encaixar na tática. Deve-se escolher apenas produtos que respeitem as características do perfil de investidor. Por exemplo, para um investidor conservador não faz sentido colocar uma parte significativa do dinheiro em ações.

Os especialistas do Barclays aconselham a que “antes de se meter dinheiro num investimento, deve reservar-se tempo para o pesquisar de forma a perceber exatamente o que está envolvido e quais são os riscos”. Para quem pretenda comprar fundos de investimento deve ler toda a documentação do produto.

Apesar de rentabilidades passadas não serem sinónimo de ganhos futuros, pode-se pesquisar o histórico da gestora do produto em entregar retornos ajustados ao risco para escolher o fundo com mais potencial. Existem entidades, como a Morningstar, que fazem a classificação desses produtos tendo em conta esses critérios.

Já para quem queira investir diretamente em dívida ou ações de empresas, o Barclays aconselha “a que se tenha a certeza do que a empresa faz e como planeia gerar dinheiro no futuro”. Em resumo, a regra de ouro é “nunca se investir em algo que não se percebe”.

Nuca se deve investir em algo que não se percebe.

Além disso, quando um investimento aparenta ser demasiado bom para ser verdade é motivo para fazer soar os alarmes. “Tenha cuidado com investimentos muito especulativos que aparentam ser demasiado bons para ser verdade e não sigam a manada e invistam só porque todos os outros estão a fazê-lo”, aconselha o Barclays.

Ter atenção aos custos

A rentabilidade bruta até pode ser prometedora, mas as comissões podem destruir uma boa parte dos ganhos conseguidos. Existem custos de custódia, de corretagem, de subscrição, de resgate, de pagamento de juros, de dividendos, entre outras.

“As comissões terão impacto nos retornos gerais, portanto é importante tê-las em consideração ao escolher os seus investimentos”, avisa o Barclays. Por exemplo, nas últimas emissões de Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV), investir pequenos montantes levaria a perdas para os investidores devido ao impacto das comissões.

“As comissões terão impacto nos retornos gerais, portanto é importante tê-las em consideração ao escolher os investimentos.

Antes de decidir qual o banco em que se vai confiar para a carteira de títulos ou qual o fundo de investimento que se vai comprar devem fazer-se simulações dos custos. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários disponibiliza no seu site simuladores para ajudar a identificar as opções mais baratas. Deve-se ainda fazer contas ao impacto dos impostos na rentabilidade dos investimentos.

Não meter os ovos todos no mesmo cesto

É uma das regras de ouro mais repetidas no mundo dos investimentos. Mas o Barclays realça que “é especialmente importante aplicá-la”. Os especialistas do banco defendem que “distribuir o dinheiro por um leque diferente de tipos de ativos ou de áreas geográficas implica que não se esteja demasiado dependente de apenas um investimento ou uma região”. A ideia é que se algum ovo partir, ainda se consiga ter outros de reserva para o estrago não ser total.

Investir para o longo prazo

O horizonte temporal de investimento deve ser traçado quando se monta a estratégia para fazer crescer o dinheiro. Mas investir “não deve ser considerado um caminho para enriquecer depressa”, explica o Barclays.

Investir não deve ser considerado um caminho para enriquecer depressa

O conselho clássico é que “é necessário manter os investimentos por um mínimo de cinco anos, mas preferencialmente por muito mais tempo para que exista uma maior probabilidade de conseguir os retornos esperados”. Para quem pensar que vai precisar do dinheiro a investir nos próximos dois a três anos talvez o melhor seja deixá-lo numa aplicação de capital garantido e com liquidez imediata.

Reavaliar os seus investimentos

Caso se tenha tido em conta o perfil de investidor e os objetivos do investimento ao traçar a estratégia, esta não deve ser alvo de muitas mudanças. Além de se poder desvirtuar a ideia de investimento, rodar demasiado as aplicações financeiras aumenta os custos com comissões. Mas isso não quer dizer que a tática não tenha de ser ajustada, para reequilibrar a carteira ou para tentar tirar proveito de alguma nova oportunidade.

“Os investimentos vão ter o seu valor alterado ao longo do tempo o que implica que a sua alocação de ativos – a forma como escolhe dividir o dinheiro entre diferentes ativos, como ações, obrigações, liquidez e imobiliário – vai alterar-se para valores diferentes dos objetivos de investimento. Isso faz com que se tenha de rebalancear a carteira”, explica o Barclays.

Ninguém sabe exatamente o que os mercados vão fazer a seguir, portanto tentar prever os altos e baixo pode levar a que se venda ou se compre na pior altura

Já em relação a eventuais novas oportunidades de investimento, estas não devem ir contra o plano inicial. O Barclays recomenda ainda cuidado a tentar adivinhar os altos e os baixos dos mercados: “Ninguém sabe exatamente o que os mercados vão fazer a seguir, portanto tentar prever os altos e baixo pode levar a que se venda ou se compre na pior altura”.

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