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As grandes apostas do primeiro fundo europeu de inteligência artificial

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O primeiro fundo europeu dedicado à inteligência artificial tem novas empresas no seu radar.

“Estamos apenas no começo da era da inteligência artificial [IA].” Para Johannes Jacobi, especialista de produto da Allianz Global Investors (Allianz GI), as empresas em que vale a pena investir nesta área são as pioneiras. As que apostam no desenvolvimento de IA e não as que ficam à espera para ver quais serão as tecnologias vencedoras.
O minicrash acionista no setor tecnológico em março não assustou Jacobi nem os gestores do primeiro fundo europeu de IA, o Allianz Global Artificial Intelligence, que desde a sua criação, em março de 2017, e o final de junho deste ano alcançou ganhos de 32,4%, superando a performance dos pares e o índice norte-americano S&P 500, que no mesmo período valorizou 15%. “Vemos mais turbulência adiante”, afirmou o especialista ao Dinheiro Vivo. O minicrash de março “não foi o fim da história”, nem para as tecnológicas nem para o mercado acionista. “Mas há muitas oportunidades para um investidor ativo como nós, com uma plataforma global.”
Com uma equipa instalada há anos em Silicon Valley, a procura pela melhor oportunidade de investimento é incessante. Tudo para conseguir ficar com uma fatia dos lucros que serão gerados por empresas que apostam em tecnologias que irão ser dominantes e estar presentes em todas as áreas no futuro.
“O fundo tende a apostar mais empresas de dimensão média porque é interessante em termos de inovação”, salientou o especialista da Allianz GI.

Não ao Facebook

Atualmente, o fundo de IA da Allianz GI tem mais de mil milhões de dólares (860 milhões de dólares) sob gestão. Este fundo já tem 25% de ativos fora do setor das tecnologias da informação à medida que empresas em outras áreas de atividade começam a desenvolver IA.
No Japão, onde a Allianz lançou um fundo de IA há dois anos, os ativos sob gestão ultrapassam já os três mil milhões de dólares (2,59 mil milhões de euros).
Da carteira deste fundo fazem parte empresas gigantes como a Tesla e outras menos conhecidas do público em geral. As oscilações do preço das ações da empresa que aposta em veículos com piloto automático afetaram a performance do fundo de IA da Allianz GI. Mas a aposta na Tesla vai manter-se.
Já com o Facebook, a história é outra. O fundo desfez-se das ações da empresa liderada por Mark Zuckerberg antes do anúncio dos resultados do segundo trimestre, que desapontaram os investidores. “Acreditamos que a empresa teria de investir mais agressivamente no combate à manipulação política (da sua rede social) e em iniciativas em redor da confiança e da marca”, indicou Sebastian Thomas, gestor do fundo da Allianz GI num relatório de julho.
O Facebook foi atingido neste ano com o escândalo em torno da venda de dados dos utilizadores da sua rede social à britânica Cambridge Analytica. Em causa estiveram 50 milhões de perfis. A empresa trabalhou com a equipa responsável pela campanha eleitoral do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mas não terá sido caso único. Jacobi prevê que podem surgir mais escândalos do género, incluindo com empresas como Alphabet (Google), Netflix ou Amazon. “As pessoas pensam que estas empresas prestam um serviço grátis. Não é verdade. Estas empresas estão sentadas numa mina de ouro: os dados”, afirmou.
O fundo também vendeu as ações que detinha tanto na Zendesk e como na Square e aguarda por uma descida do preço das ações para voltar a investir nestas empresas.
Entre as compras feitas recentemente pelo fundo no mercado, estão a Red Hat, que fornece sistemas open source baseados em Linux.
Também comprou ações da Teradyne, que vende equipamentos para testar componentes eletrónicos e trabalha na produção de robôs colaborativos, treinados para executar funções repetitivas na indústria.
A Dropbox, uma plataforma líder em armazenamento de dados em nuvem, é outra aposta do fundo, tal como a suíça TE Connectivity, que fornece componentes eletrónicos de alta precisão, sensores e soluções. A Integrated Device Technology e a Deere & Company também mereceram a atenção do fundo.
Economia baseada em IA

Dentro de dois anos cerca de 50 mil milhões de equipamentos eletrónicos estarão ligados em rede. É a chamada internet das coisas. Máquinas ligadas entre si, máquinas em aprendizagem constante, em evolução (machine learning), estão a aumentar a sua presença em negócios, nas empresas e na sociedade. A IA abrange uma série de tecnologias, desde machine learning, big data, a visão 3D. As suas aplicações são vastas.
No sul da Europa, os ganhos com a inteligência artificial em 2030 terão um impacto de 11,5% do produto interno bruto, estima a consultora PricewaterhouseCoopers. O impacto económico a nível mundial ascenderá a 13,6 biliões de euros.

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