Bolsa enriquece cinco mil milhões em cinco meses

Os investidores que apostaram as fichas todas na Bolsa de Lisboa têm motivos para sorrir. O arranque do ano do PSI 20 foi positivo, com mais de metade das empresas cotadas a gerar retornos positivos e elevados nos primeiros cinco meses. Contas feitas, o índice nacional "engordou" mais de cinco mil milhões de euros até maio. Se no final de 2013 a capitalização bolsista conjunta das 20 empresas que integram a praça lisboeta ascendia a 54,4 mil milhões de euros, hoje o valor de mercado total é de 59,7 mil milhões. Ou seja, são mais 5,3 mil milhões que entraram no índice nacional nos primeiros cinco meses de 2014.

A valorização ganha dimensão quando analisada à luz das pares mundiais. Ao arrecadar ganhos de 8,4% desde o arranque do ano, o PSI 20 figura como uma das melhores praças financeiras do mundo. Se na Europa a Bolsa de Lisboa bate as congéneres francesa, britânica e até alemã, o PSI 20 consegue, inclusivamente, ter um desempenho superior às praças brasileira e norte-americanas. Melhor mesmo só o índice russo, que avança mais de 45%, ou a bolsa espanhola, que regista uma subida de quase dois dígitos desde o início de 2014.

Olhando apenas para a Bolsa de Lisboa, entre as 20 empresas que a compõem apenas seis apresentam um saldo negativo este ano. Banca e telecoms dominam este lote restrito de títulos com perdas.

No caso do sector financeiro, as perdas oscilam entre os 5% e os 40%, com o BES e o Banif a serem penalizados não só pelos aumentos de capital que ainda têm em curso, como pelos prejuízos que registaram no primeiro trimestre do ano. Já a Espírito Santo Financial Group (ESFG) foi obrigada pelo Banco de Portugal a criar uma almofada de 700 milhões de euros para cobrir o risco de não pagamento de papel comercial de empresas do grupo que tinha sido vendido pela rede de retalho. Quer o BES quer a ESFG foram ainda condicionadas negativamente pelas irregularidades que foram detetadas na holding que controla o Grupo Espírito Santo, bem como pela atual reestruturação que o grupo atravessa. Tudo somado, estas três instituições financeiras cotadas viram o seu valor de mercado diminuir em 664 milhões de euros.

A quebra de resultados trimestrais da Zon Optimus e no caso da Portugal Telecom, os prejuízos provocados com os custos da fusão com a operadora brasileira Oi foram os catalisadores para atirar as ações para terreno negativo. Em conjunto, o market cap das duas operadoras reduziu-se em mais de 660 milhões de euros. A lista das cotadas com os piores desempenhos em bolsa nos primeiros cinco meses do ano fica fechado com a Jerónimo Martins, com a retalhista a acumular perdas de 12%, equivalentes a 1,1 mil milhões de euros.

Em sentido inverso, a Impresa, o BPI e os CTT integram o pódio dos títulos com os melhores desempenhos até maio, com subidas entre os 50% e os 30%. Se a empresa de media passou de prejuízos a lucros no primeiro trimestre, já o banco agravou os números negativos mas está cada vez mais perto de reembolsar a totalidade do empréstimo concedido pelo Estado. Além da subida de lucros trimestrais, os CTT têm beneficiado do facto de terem integrado o PSI-20, depois de se terem estreado em Bolsa em dezembro passado.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de