Mercados

Bolsas europeias em alta, mas cautelosas face a ações de alguns bancos centrais

Bolsas europeias subiram este ano

O otimismo reinava nas principais praças europeias, que contrariavam a tendência de Wall Street

As principais bolsas europeias estavam hoje em alta, mas perante a sensação do mercado de que as ações individuais anunciadas por alguns bancos centrais são insuficientes para atenuar os efeitos económicos do coronavírus.

Cerca das 09:00 em Lisboa, o EuroStoxx 600 subia 0,43% para 382,75 pontos.

As bolsas de Londres, Paris e Frankfurt avançavam 0,55%, 0,70% e 0,43%, bem como as de Madrid e Milão, que se valorizavam 0,15% e 0,17%.

Depois de ter aberto em alta, a bolsa de Lisboa mantinha a tendência e, cerca das 09:00, o principal índice, o PSI20, avançava 1,13% para 4.945,25 pontos.

Assim, o otimismo reinava nas principais praças europeias, que contrariavam a tendência de Wall Street, depois da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) ter descido de surpresa as taxas de juro para combater a desaceleração económica resultante da epidemia do coronavírus.

Analistas citados pela Efe referem que esta descida gerou muitas dúvidas no mercado, que não acredita que medidas de estímulo individuais dos bancos centrais possam paliar os efeitos económicos do coronavírus.

Inclusivamente, o responsável da Allianz Global Investors Frank Dixmier assegura que a intervenção dos bancos centrais nesta etapa é “inútil, insalubre”, e não ajudará a fazer frente aos problemas das cadeias de fornecimento.

“A Reserva Federal está a queimar munições que poderia não ter em caso de uma recessão severa”, indica.

Outro analista citado pela Efe considera que o corte da Fed sugere, por um lado, que a desaceleração poderia ser maior do que o esperado e que as medidas monetárias podem resultar insuficientes para enfrentar a situação atual especialmente no respeita ao ‘stock’ de oferta, que precisaria mais de apoios orçamentais.

Os analistas consideram ainda que os mercados esperavam uma ação conjunta por parte dos bancos centrais e governos e apenas encontraram respostas individuais como a da Fed, o Banco de Austrália.

O G7 (Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido) comprometeu-se a dar o apoio necessário à economia, mas sem concretizar quaisquer medidas.

Hoje o Eurogrupo reúne-se para analisar os efeitos do coronavírus, bem como o Banco de Inglaterra.

As subidas das praças europeias ocorrem depois de Wall Street ter terminado em forte alta na segunda-feira com o Dow Jones a subir mais de 5%.

Os investidores congratulam-se com a disposição da Fed e de outros bancos centrais de mitigar os efeitos económicos do coronavírus, cuja expansão, segundo as previsões da OCDE, no cenário mais adverso, poderia reduzir para metade o crescimento económico mundial em 2020 e levar para uma recessão a Europa e o Japão.

O Banco Central Europeu (BCE) também assegurou que está preparado para tomar “medidas apropriadas e orientadas, de forma necessária e proporcionada com os riscos subjacentes” ao coronavírus.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial anunciaram que estão “prontos” para ajudar a encarar “a tragédia humana e os desafios económicos” do coronavírus, com todos os “instrumentos disponíveis”.

Na terça-feira, a bolsa de Nova Iorque terminou com o Dow Jones a cair 2,94% para 25.917,41 pontos, contra 29.551,42% em 12 de fevereiro, atual máximo desde que foi criado em 1896.

No mesmo sentido, o Nasdaq fechou a recuar 2,99% para 8.684,09 pontos, contra 9.817,18 pontos em 19 de fevereiro.

A nível cambial, o euro abriu hoje em alta no mercado de câmbios de Frankfurt, a cotar-se a 1,1169 dólares, contra 1,1159 dólares na terça-feira e 1,0792 dólares em 19 de fevereiro, atual mínimo desde abril de 2017.

O barril de petróleo Brent para entrega em maio de 2020 abriu hoje em alta, a cotar-se a 51,91 dólares no Intercontinental Exchange Futures (ICE) de Londres, contra 51,86 dólares na terça-feira e 49,67 dólares, mínimo em 28 de fevereiro.

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