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Perdeu 2,4 biliões de dólares desde 1 de janeiro. Esta é a pior bolsa do mundo

(REUTERS/Thomas Peter)
(REUTERS/Thomas Peter)

O índice da bolsa de Xangai perdeu 2,4 biliões de dólares desde 1 de janeiro.

Para quem investiu este ano nas empresas cotadas nas bolsas da China continental, as contas de final do ano trazem sobretudo más notícias. Um dos principais marcadores das bolsas do país, o índice compósito de Xangai, está praticamente 25% abaixo da cotação de início de 2018, assinala esta sexta-feira Bloomberg. São menos 2,4 biliões de dólares na capitalização. A China tem o palmarés indesejado: teve este ano a pior bolsa do mundo.

O índice de cotações das 300 maiores empresas listadas nas duas maiores praças do país, Shenzhen e Xangai, não segue melhor esta sexta-feira, e perde 25,3% desde o arranque do ano. Apesar de tudo, os mercados respondem hoje com mais otimismo aos sinais positivos de fecho de sessão nos EUA, ontem, e à torrente de estímulos prometida pelos reguladores e governo central chinês para animar uma economia que coleciona neste momento mau indicador atrás de mau indicador.

Neste final de ano, o vento sopra contra o avanço da economia chinesa. O Banco Mundial vê a passada da economia do país cair para 6,2% em 2019. Os dados sobre os lucros das indústrias chinesas mostravam ontem a primeira queda em três anos, com um recuo de 1,8% em novembro que compara com o mesmo mês do ano passado. O consumo privado segue em mínimos de 15 anos, o investimento – sobretudo no imobiliário – está a quebrar, e as importações também. As exportações têm seguido sem mossa, mesmo para os Estados Unidos, onde enfrentam tarifas em excesso por conta da guerra comercial e arriscam taxas aduaneiras ainda mais elevadas a partir de fevereiro caso Pequim e Washington tardem no cessar-fogo.

Algumas cidades chinesas estão já a relaxar controlos sobre a venda de imóveis, adotados para conter a especulação, com expetativa dos analistas de que Pequim aponte para um ambiente nacional mais favorável em geral à atividade imobiliária. Os bancos têm vindo a receber injeções de liquidez para resistirem a choques e emprestarem mais, e o governo admite cortar impostos e retomar a permissão para que os governos locais se endividem via veículos especiais como via para animar o investimento público.

Mas, apesar dos estímulos, há quem antecipe um “inverno mais frio e longo que o esperado”, sobretudo para os negócios privados, como o bilionário Chen Hong Tian, presidente do grupo imobiliário Cheung Kei e também da organização Clube da Harmonia, que reúne 150 grandes empresários do sul da China. A mensagem, passada ao jornal South China Morning Post, é a de que as empresas não estatais não estão até aqui a sentir efeitos positivos das medidas que têm vindo a ser tomadas pelas autoridades.

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