supervisão

CMVM proíbe vendas a descoberto de ações dos CTT esta terça-feira

Ações dos CTT desvalorizaram 13,99% na sessão de ontem e supervisor não exclui "ocorrência de fenómeno de especulação"

A administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) decidiu proibir a venda a descoberto de ações dos CTT esta, terça-feira, dia 31 de janeiro. A quebra agressiva do valor dos títulos dos Correios registada esta segunda-feira justificou a decisão.

Ao longo da sessão de ontem, as ações dos CTT desvalorizaram 13,99%, tendo fechado a valer 5,171 euros, o valor mais baixo de sempre para a empresa.

Em comunicado, a CMVM anuncia que decidiu pela “proibição das vendas a descoberto das ações representativas do capital social dos CTT”, proibição que tem “efeitos a partir das 00h00m de 31 de janeiro de 2017, até às 23h59m do mesmo dia”.

Por vendas a descoberto, ou short selling, entende-se a venda de um ativo que ainda não se detém a um preço acordado, esperando depois que o preço real do ativo caia para o recomprar e lucrar com a diferença.

O supervisor dos mercados volta assim a optar pela suspensão da venda a descoberto de títulos quando confrontado com uma desvalorização agressiva dos mesmos. Já no passado dia 19 de janeiro a CMVM optou pela mesma solução para as ações do BCP que, no dia da negociação “protegida” acabaram por recuperar mais de 10%.

Tal como aquando da decisão sobre o BCP, também agora a CMVM aponta como base da decisão os regulamentos europeus que regem os mercados e dão aos supervisores o poder de restringir temporariamente este tipo de operações “em caso de diminuição significativa da respetivo preço”, um tipo de flutuação que “não pode excluir a ocorrência de um fenómeno de especulação com impacto negativo”.

O limiar para uma diminuição ser “significativa” está colocado na fasquia dos 10% ou mais de desvalorização, e “tendo em consideração que a diminuição do preço das ações [dos CTT], em relação ao preço do fecho do dia de negociação imediatamente anterior, foi de 13,99%”, a administração presidida por Gabriela Figueiredo Dias, avançou para a proibição deste tipo de negociação ao longo do dia de amanhã.

A desvalorização registada ontem pelas ações dos CTT tem sido justificada pela revisão em baixa assumida na passada sexta-feira das metas para resultados operacionais e EBITDA da empresa. O mercado foi apanhado pela “inesperada revisão em baixa do guidance” e reagiu penalizando os títulos.

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