Regulação

Comissão Distrital do PSD/Porto considera inaceitável fecho da CMVM

A Presidente da CMVM, Gabriela Figueiredo Dias. (Foto: TIAGO PETINGA/LUSA)
A Presidente da CMVM, Gabriela Figueiredo Dias. (Foto: TIAGO PETINGA/LUSA)

A Comissão Distrital do PSD-Porto classificou hoje como "injusto e absolutamente inaceitável" o encerramento da CMVM no Porto

A Comissão Distrital do PSD-Porto classificou este sábado como “injusto e absolutamente inaceitável” o encerramento da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) no Porto e desafiou o Governo a “quebrar o silêncio com que tem ignorado” a região.

Em comunicado, a distrital do PSD/Porto critica a “inocuidade da argumentação de que a alegada «evolução tecnológica torna mais fácil o acesso à instituição»” e questiona os motivos para “não aplicar o mesmo argumento para o contexto de reforço da operação no Porto”.

O PSD distrital contesta ainda a deliberação “ao nível administrativo e de (in)gestão territorial”, frisando estar em causa uma “postura permanente e crescente de concentração administrativa numa única cidade de todas as competências de uma nação”, facto que “constitui um erro político e um retrocesso no desenvolvimento da sociedade, colidindo com o que se pratica nos países mais desenvolvidos”.

“No século XXI, a aceitação desta posição continuada só pode ser carreada por uma boa dose de arrogância centralista e elitista”, destacam os social-democratas.

A CMVM justificou na terça-feira à Lusa que encerrou a delegação no Porto por já não haver razões para a sua existência.

Fonte oficial da CMVM recordou que, no Porto, “existia uma bolsa de valores e vários emitentes e intermediários financeiros que ali tinham sede, como bancos e fundos de investimento”, o que deixou de acontecer, estando tudo centrado na sede, em Lisboa, indicando que a “evolução tecnológica” tornou mais fácil aceder à instituição.

Para o PSD, importa saber se, “ao abrigo desta mesma evocada evolução tecnológica, o que impede a CMVM de reforçar as competências da delegação do Porto, com descentralização de alguns serviços até então empurrados para a sede”.

A Comissão Distrital do PSD questiona ainda se “a CMVM assume que desiste da expetativa de o Porto vir a concentrar mais intermediários e sedes de operadores financeiros, no futuro”.

Pergunta, ainda, se “foram auscultadas as empresas e as centenas de milhares de trabalhadores das várias empresas do PSI20 sedeadas no Norte, de entre elas a Sonae, Navigator Group, Mota Engil, a Vista Alegre ou a Toyota Caetano”,

Considerando que, “ao nível político já nem se estranha o absoluto silêncio dos responsáveis políticos e do Governo”, o PSD/Porto quer saber “qual a posição do primeiro-ministro e do ministro das inanças, que têm responsabilidades na nomeação dos Órgãos Sociais da CMVM”.

“Esperemos que, desta vez, não se remetam ao mesmo recolhimento de outras medidas cirurgicamente danosas para a região do Porto: IC35, EN14, porto de Leixões, metro para a Trofa, supressão da CP da linha IC das 22:00, aposta no aeroporto Francisco Sá Carneiro ou cobrança despropositada de SCUTS em redor da zona industrial na periferia da Maia, só para citar os mais recentes”, afirmam os social-democratas.

O PSD defende “um Portugal desenvolvido e equilibrado” e manter “a intransigência no respeito pela dignidade de todos os Portugueses, reforçadamente nos que têm menor acesso a oportunidades de desenvolvimento e progresso”.

“Por isso, desafiamos o governo à quebra do silêncio ensurdecedor com que nos tem ignorado”, conclui a distrital.

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