Cotadas do PSI 20 são as que melhor cumprem recomendações do governo societário

A AEM – Associação de Empresas Emitentes de Valores Cotados em Mercados apresentou hoje a segunda edição de um estudo independente, pedido à Universidade Católica Portuguesa, sobre o grau de acolhimento das recomendações de corporate governance (governo das sociedades) por parte das empresas cotadas. Deste estudo resultou um índice e um rating, apelidados de Católica Lisbon/AEM.

Entre as principais conclusões do relatório está o facto de as empresas que integram o principal índice nacional, o PSI 20, apresentarem um maior grau de acolhimento das recomendações de governo societário. Além disso, quanto maior a percentagem de ações dispersas no mercado (free-float) melhor o grau de acolhimento. No conjunto, estes dois resultados combinados resultam que uma empresa que tenha uma maior exposição ao mercado apresente um melhor acolhimento do código de boa governação.

Contas feitas, isto significa que uma empresa que pertença ao PSI 20 cumpre melhor as recomendações do governo das sociedades.

Na apresentação com jornalistas, o diretor executivo da AEM sublinhou que “o grau de acolhimento registado em 2011 melhorou face ao ano anterior”. Abel Ferreira defendeu, no entanto, que “é necessária a existência de um código privado de corporate governance, que o código vigente da CMVM seja revisto e aperfeiçoado, e que a monitorização feita de forma independente, atempada e clara tem vantagens”.

Miguel Athayde Marques, que, na Universidade Católica, coordenou o trabalho desenvolvido, explicou que “o corporate governance tem uma influência muito significativa para os investidores, na seleção de uma cotada e nas suas escolhas de investimento”.

Paulo Câmara, outro dos coordenadores do relatório, enumerou três ilações do estudo: “as recomendações múltiplas conduzem a análises enviesadas do ponto de vista negativo; que muitas recomendações em Portugal não têm correspondência aos benchmarks internacionais; e que é viável e vantajoso fazer uma análise privada”.

Por seu turno, Leonor Modesto, também coordenadora do estudo da Católica, salientou o facto de “existir um grau elevado de corporate governance em Portugal”, com as empresas do PSI 20 a “apresentarem um melhor grau”.

Entre os resultados mais preocupantes salientados pela coordenadora, ou seja que pioraram face a 2010, constam as recomendações relacionadas com os administradores independentes, com a seleção de candidatos a administradores não executivos, e também com a ausência de compensação na destituição sem justa causa de administrador.

“O grau de acolhimento é elevado. O panorama geral é bastante satisfatório, com as empresas a cumprirem, e melhorou face a 2010”, afirmou Leonor Modesto.

O diretor executivo da AEM, Abel Ferreira, acrescentou que “uma maior exposição ao mercado de capitais significa um maior cumprimento, uma vez que o mercado tem um efeito disciplinador e exige uma maior escrutínio”.

O índice Católica Lisbon/AEM

O índice, que mede o grau de acolhimento das recomendações, tem uma escala de entre 5.000 pontos (total ausência de acolhimento) a 10.000 (acolhimento completo). De acordo com a análise feita, a média de todas as empresas foi de 9.084 pontos, enquanto que a média das empresas do PSI 20 foi de 9.433 pontos, o que demonstra um elevado grau de acolhimento das recomendações de governo societário por parte das sociedades cotadas nacionais.

Além disso, estes valores estão acima dos verificados em 2010, ou seja na primeira edição do relatório. Nesse ano, a média de todas as empresas foi de 8.920 pontos, enquanto que a média das empresas do PSI 20 foi de 9.337 pontos.

O rating Católica Lisbon/AEM

Do índice foi criado um rating para todas as cotadas, assente numa notação em oito classes, de D (rating mínimo) a AAA (rating máximo). O estudo revela que 61,4% das sociedades cotadas registam classificações de AA e AAA, ou seja as duas classes mais elevadas. Além disso, são 34 as empresas (mais 2 que no ano anterior) que apresentam um rating igual ou superior a A.

Uma análise mais pormenorizada revela que 16 empresas têm um rating AAA, 11 têm o segundo mais alto (AA), e 7 têm a notação A. Nos escalões mais baixos, são 7 as empresas com rating BB, 2 com nota B e apenas uma com rating CC.

Já em sentido inverso não houve qualquer registo de qualquer empresa com um rating C ou D, ou seja, considerado de “lixo”.

O estudo foi realizado para 44 empresas portuguesas cotadas, tendo por base o relatório de governo societário publicado pelas empresas em 2011, tendo sido atribuída uma notação de rating societário baseado num índice de observância de recomendações de governo das sociedades com uma ponderação entre as diversas recomendações.

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